segunda-feira, 26 de julho de 2010

GRITO - Francisco Amaral Jorge


Ainda não era o tempo do
cacimbo
e já a tua tela procurava
marcar o ritmo dos tambores
As cores e as formas
eram desenhadas com raiva
e faziam nascer o teu grito
Um grito nascido
das cores que só tu sabias
misturar
Um grito nascido
das tuas mãos que de forma
ágil percorriam a tela
Um grito que era nosso e queriamos que rebentásse no
Universo
Por isso o vermelho
o verde o amarelo
o sangue
Por isso o azul
o castanho o preto
a lágrima
Por isso o cinza
o roxo o branco
o silêncio
Vai amigo
arranca todas as cores da tua memória
e pinta todos os gritos
de todas as mães
que já não sentem a seiva no seu corpo
Vai amigo
mistura os amarelos os vermelhos os pretos
mistura os cinza e os azuis
e pinta suavemente a curva ágil da gazela
a matar a sede no deserto
"
Francisco Amaral Jorge, embora nascido em Portugal, é de Angola que guarda recordações intensas e marcantes que tão bem retrata na sua poesia.
Uma poesia que podem conhecer através do seu blogue aqui linkado e que convido a visitar.
A tela "Grito" aqui retratada no seu poema é do artista plástico Henrique Arede.

terça-feira, 20 de julho de 2010

MOMENTOS...


Uma luz que se faz
num sorriso aberto
que encanta
numa gargalhada
um coração que bate
que está vivo!
Uma ansia imensa
vontade intensa
de viver sem medos
mais um momento da Vida!
"
Ana Casanova

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nua


Aqui onde reinam as palavras
onde as deixo fluir
sem medos ou restrições
julgamentos ou comparações
Aqui onde me solto
onde sou apenas EU
e me liberto!
Aqui canto, danço
Voo e toco as estrelas
Deito-me na lua,
despida de preconceitos
Aqui estou nua
apenas eu.
Meu corpo e minha alma!
"
Ana Casanova

sábado, 10 de julho de 2010

Gesto Solitário


É neste gesto solitário
que me aproximo de ti
Não sei se consigo
Tão pouco sei se me entendes...
Se ouves o meu grito mudo
Se sentes o meu desespero
Se vês como estou perdida...
Mas é desta forma que chego a ti!
Quando te escrevo...
"
Ana Casanova

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pela metade


Não te quero só em partes
não te desejo só pela metade.
Quero partilhar contigo tudo!
Tudo o que tu queiras
Tudo que o que me possas dar
que queiras partilhar
o teu corpo, a tua alma
o teu sorriso, os teus beijos
a tua experiência e anseios
as tuas loucuras e brincadeiras
tuas dúvidas e temores.
Não te quero só pela metade
porque metade é tão pouco pra mim...
Ana Casanova

terça-feira, 29 de junho de 2010

Se eu fosse homem por um dia



Participando da Blogagem Colectiva do blogue Espaço Aberto, à minha maneira respondi o que faria se fosse homem por um dia.
Como se fosse homem, acho que adoraria fazer uma mulher feliz, exactamente porque adoro ser mimada e seduzida, aqui fica em verso como eu seria:
#
Se eu fosse Homem
por um dia
enchia-te de flores
e de pérolas.
Serias a minha Rainha.
Dançaria contigo
ao entardecer
uma música de Percy Sledge
segurando-te suave
mas firmemente
a cintura
enquanto o meu olhar
te diria que
quando um homem
AMA...
não consegue pensar
noutra Mulher!
Ana Casanova

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Como num filme


Todos temos uma história
e tu entraste na minha
como o actor principal.
Tudo o que fiz, senti, sonhei
tinha um propósito
porque tu existias!.
Para quê o guião
se por ti fiz loucuras
quebrei as regras
reenventei cenas
sem nunca conseguir ser
a tua Heroína...
Não cheguei ao estrelato
não vi as luzes da ribalta
porque este filme
do qual também fui a realizadora
estava desde o inicio destinado
a ser um fiasco total!
Ana Casanova

quinta-feira, 24 de junho de 2010

África


Meu orgulho, meu destino
África moras em mim.
No sorriso das crianças
no colorido dos gostos
na força do imbondeiro
no batucar do meu peito
no cheiro da terra molhada
que trago entranhada na pele.
És tu grande paixão
que me aquece os sentidos
me faz plena na emoção
e quente na paixão como
só tu África...
Porque moras em mim!
Ana Casanova

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O meu jeito de dizer que te amo


De forma inteira, arrebatada
sou amante, amiga
companheira, namorada
Amo-te com corpo e mente
meus sentidos são teus
sómente!
Cuido-te, trato e mimo...
É assim o meu jeito
de dizer que te Amo!
Ana Casanova
"
Apesar de não ter conseguido participar no concurso literário do blog "Espaço Aberto", aqui fica a minha homenagem a um blogue que pretende divulgar os trabalhos de outros blogueiros com iniciativas fantásticas.
Um blogue que tenho linkado no meu espaço e convido todos os amigos a visitar.
O meu pequeno-grande pintor César, é o artista convidado a participar neste momento.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sonhei...


Sonhei...
Um sonho bonito
de amor, paz, amizade pura
conciliação...
Dois seres de mãos dadas
num jardim, num País de Ilusão
que eu nunca vi...
Um sonho que não é só meu
mas de tantos que sonharam
sonhos incompreendidos...
Ana Casanova

domingo, 6 de junho de 2010

Sem asas


Tantos sonhos desfeitos
mas tantos por descobrir
Voo mesmo sem asas
onde me leva a mente
a emoção do meu sentir...
Voo e plano sómente
numa viagem sem fim!
Mesmo sem asas...
Ana Casanova

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tudo se faz
em nome do amor
Amar não é aprisionar
possuir ou sufocar
fazer do outro
um reflexo!
Amar é tão belo e sublime
Força maior que nos invade...
Não deixem penetrar no vosso espaço
não castrem a autenticidade
Não matem o sentimento
ao tirar-lhe a liberdade!
Ana Casanova

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Querem originalidade...


Querem originalidade...
Mas existe originalidade na maldade?
Criticar por criticar é tão simples...
Oiço as víboras sibilar
sempre atentas, traiçoeiras
são astutas, matreiras
mas é tanta a maldade
que sem esperar
acabam por provar do seu veneno.
E lá se vai a originalidade!
É que ela não existe na maldade...
Ana Casanova

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Palavras interrompidas




Foste fonte de inspiração
em acordes tão vibrantes!
Eu, a tua poesia viva
palavras desafiantes
em jeito de desgarrada.
Fui guitarra dedilhada...
Até, que partiste um dia
assim, sem esperar, sem nada
As cordas que nos uniam
acabaram assim partidas
e perdeu-se a melodia
nas palavras interrompidas!


Ana Casanova

quinta-feira, 13 de maio de 2010



Há pessoas falsas, ardilosas
que vivem ao sabor da conveniência
caçando os incautos,
os bons e honestos distraídos
os que são de boa fé...
Provocam feridas
não de morte mas que marcam

Temos que nos precaver
como soldados na guerra
porque esta vida
é uma luta
e temos que reagir
encontrar o anti-virus
e por nada desistir!
Vamos insistir
continuar a caminhada
porque sinto
que no final...
O bem vencerá o mal!



Ana Casanova



domingo, 9 de maio de 2010

Coração de mãe



Não são precisos gritos
para demonstrar o que sentes
Basta um gesto, um toque
um carinho abraçado
e transmites-me tudo
de uma forma subtil
mas intensa
uma espécie de código
que é nosso apenas!

O amor que te tenho é imenso
por ti eu vou ao fim do mundo
não há barreira ou limite
E tu...
sabes tão bem meu filho
que promessa de mãe
é eterna e verdadeira!


Ana Casanova

domingo, 2 de maio de 2010

Livraria Ferin - Apresentação do livro






Para partilhar convosco este dia tão especial e emocionante, aqui vos deixo umas fotografias do lançamento do meu primeiro livro de poesia "Desabafos d'Alma".
Têm sido dias muito intensos e é com alegria que anuncio que será feita divulgação do mesmo esta semana na quarta-feira na Taverna del Rey em Lisboa, na quinta-feira na Lx Factory e na sexta-feira, na Art Domus In em S. Pedro de Sintra.
Finalizo, deixando-vos com as palavras do meu querido amigo João Videira Santos, escritor e Artista Plástico, que prefaciou o meu livro:
" (...) Sobretudo porque escrever é mais do que dar luz à palavra, é tingir nelas a cor da alegria, dos sonhos, do sofrimento, da imcompreensão, de tudo o que afecta o ser e a sensibilidade de cada um.
Trespassando seus ais em palavras comedidas, a Ana guarda expectativas em horizontes que quer alcançar e contra os quais se revolta, pelas intempéries da vida, pelas suas dificuldades.
(...) Escutemos as suas palavras no som da leitura que delas fazemos.
Vale a pena o tempo que lhes consagramos e acima de tudo, vale a pena conhecer a mulher que nas vestes da poesia dá cor ao colorido dos sentimentos."

sábado, 24 de abril de 2010

O meu primeiro livro de poesia



Queridos amigos, está a chegar o dia da apresentação do meu primeiro livro.
Há mesmo sonhos que se realizam e este era um sonho desejado mas que não pensava ser concretizável, dadas as dficuldades que existem para a edição de um livro.
Graças a Movandart, e ao Rodrigo Camara Borges que apostou em mim, o sonho começou a tomar contornos. O meu filho, César que escolhi para idealizar e realizar a capa e interior do livro, esteve sempre junto a mim. Depois "sonhei" que seria o João Videira Santos a fazer o prefácio do meu livro e mais uma vez o meu pedido foi atendido. Tem estado sempre presente também e sido incansável em todos os momentos. Como ele referiu numa nossa conversa, este é o meu "terceiro filho" e tem sido muito acarinhado.
Quis desta maneira partilhar convosco a minha felicidade e convidar-vos a todos para estarem presentes da forma que puderem. Eu sei bem que há quem estivesse comigo se fosse possivel mas não é. Como nada é impossivel os meus "Desabafos d'alma" podem e vão atravessar oceanos.


Ana Casanova

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sintonia



Oiço a musica que me toca

enebriando-me os sentidos

perfumo-me de rosas...

pinto os lábios de carmim

e prendo os cabelos

que me despem os ombros

num ritual sentido...

Fecho o olhos

e sinto a música apenas

Uma brisa suave roça-me a nuca

e faz-me arrepiar

Serás tu?



Ana Casanova

sábado, 10 de abril de 2010

"Ensinar a sério...brincando"



Como sempre, venho dar-vos notícias dos progressos do Gonçalo.
As aulas começam já na segunda-feira e vamos entrar no terceiro período.

O Gonçalo é um aluno que pelas necessidades educativas especiais de carácter permanente, tem um currículo específico individual.
A boa nova é que na língua portuguesa, já consegue, com ajuda, juntar letras e ditongos e retém a informação de forma mais firme e apesar de com muita ajuda, já vai lendo pequenos textos de três a quatro linhas. Já compreende com maior clareza textos que lhe são lidos e reproduz por suas palavras a síntese dos mesmos. Comunica com maior clareza e motivação notando-se também uma evolução no raciocínio prático e nos parâmetros psico-emocionais, na tolerância à frustração e diminuição de indicadores de ansiedade.
Desenvolveu o sentido de humor e apresenta-se mais alegre e com olhar mais expressivo que no ano anterior.

Em conclusão e salientando que a aprendizagem dele como aluno tem um carácter funcional, a evolução é constante, crescente e significativa segundo os professores, quer do ensino curricular como também dos professores de educação especial e terapia da fala.
Como sabem, eu quero muito que o Gonçalo consiga ler o que nos vai deixar extremamente felizes. Ele adora livros e jogos e conta constantemente com a minha ajuda o que em determinados momentos não é possível.
Ao contrário do que estava pensado e a minha será a palavra final, talvez seja mais positivo que permaneça nesta escola por mais um ano, tendo como objectivo que sejam atingidos os tais níveis mínimos que se pretendem e sempre pensando só e apenas nos seus benefícios e bem estar como aluno.

Como não páro nunca de pesquisar tudo o que diz respeito à hiperactividade com défice de atenção, dislexia e disortografia e como graças a Deus todos os que nos são próximos também se encontram sempre atentos, tive acesso a uma brochura que falava num novo método de aprendizagem chamado de Método Fonomímico elaborado pela Drª Paula Teles e que se dedica à avaliação e reeducação de crianças e jovens com perturbações da Linguagem, da Leitura e da Escrita, Dislexia, Défice de Atenção, Pertubações do Espectro Autista e outras perturbações do desenvolvimento. Segundo várias opiniões que observei de Neurologistas Pediátricos e Psicólogos educacionais este método é eficaz e permite uma descodificação rápida e automática das palavras escritas, ensinando competências básicas de uma maneira alegre, com materiais que "ensinam a sério...brincando...", segundo o Prof. Pedro Cabral, Neurologista pediátrico.
Claro que comprei já o primeiro livro que levarei aos professores na segunda-feira pois tudo faço para que o Gonçalo se sinta motivado e confiante.
Estava um pouco apreensiva com a festa de finalistas porque não quero que ele se sinta de forma nenhuma posto de parte mas a Professora disse-me que ele terá o seu próprio Diploma e festejará juntamente com os colegas que irão partir para outros desafios. Ele ficará em principio, porque penso que precisa de crescer em termos de maturidade e para o ano estará mais preparado para enfrentar outros desafios.
A nossa luta continua e penso que estas nossas vitórias servem de incentivo a outros pais, com filhos com as mesmas necessidades e que travam as mesmas lutas e também de sensibilização a quem delas não necessita mas pode ajudar dando apoio e motivando sem excluir quem segue um caminho diferente de acordo com a sua natureza.

Ana Casanova

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tantas vezes



Tantas vezes perdida
como só numa ilha
apesar de partilhada
onde não existe o sol
mar ou paraíso
Apenas um inferno vivo!
Um mundo de horrores
podre, sujo, lamacento
um lugar que me repele
que não é o meu lugar
Mas nada me endurece
não me sinto acomodada
persisto nesta inquietação
e na mudança eu insisto
O diabo não me vence
a minha alma ele não leva
E nada me tira o sorriso
mesmo quando os olhos choram
porque uma coisa eu sei
e numa verdade eu insisto
a força que o amor tem em mim.


Ana Casanova

sábado, 27 de março de 2010

Especial



És pedaço de mim
meu sangue, meu ser
Luz dos meus olhos
razão do meu sorrir
És motivo de amor
e por ti morro
se tu sofres
Serei os teus olhos
e sempre a tua voz
Porque em ti escrevo
e por mim tu lês
És diferente sim
meu filho
de tão especial!


Ana Casanova

Hoje o meu bonequinho faz 10 anos e eu só quero que ele seja muito feliz!

sábado, 20 de março de 2010

Se me faz sorrir




Não me arrependo de nada
se me faz sorrir
Quando sinto prazer
calor, ternura...
Se nem me deixa notar
que o dia é cinzento
Se me faz esqueçer
das dores e tristezas
dos dias entediantes
Se me faz sorrir...
Eu ganho alma nova!


Ana Casanova

domingo, 14 de março de 2010

Desabafo de mãe




Por estes dias tenho andado triste. Sinto o coração apertado e um nó na garganta que me faz chegar às lágrimas com extrema facilidade. Eu falo, eu brinco mas o meu sentido, o meu pensamento tem uma unica preocupação e direcção.
Por estes dias e após o treino de Futsal do Gonçalo, o treinador veio falar comigo.
Elogiou o desenvolvimento do Gonçalo em dois meses e meio de treino e disse que ele é mesmo uma peça fundamental da equipa. Eu sinto que ele sente um carinho muito especial pelo meu filho mas é natural que aconteça porque o Gonçalo é uma criança extremamente meiga e cativante.
Como sabem e repito para quem não o conhece ainda, é hiperactivo com défice de atenção mas com problemas associados de disortografia e dislexia.
Estranhamente para mim porque os hiperactivos que conheci sempre, são pessoas extremamente agitadas, o Gonçalo tem um procedimento perfeitamente normal para uma criança de 9 anos quase a fazer 10, ainda este mês e só é possivel notar a sua problemática no que diz repeito ao estudo. Ele ainda não consegue ler e escrever como os outros meninos da mesma idade.
Apesar de todas as dificuldades, estamos todos empenhados, familia, médicos e professores, em que a situação seja ultrapassada da melhor forma possivel e os resultados são visiveis de ano para ano. Ao ritmo dele, existe sempre evolução e para mim é sempre uma felicidade que tantas vezes aqui tenho partilhado.
Tudo o que falei até agora é a parte positiva mas aconteceu uma situação que me deixou muito preocupada e passo a contar.
Ao longo da conversa com o treinador, eu como muito atenta que sou fui percebendo que ele me queria dar alguma dica, ao falar que não deviamos dar muita importância quando se falava em "deficiência" porque se ele não soubesse nem nunca diria que o Gonçalo tinha algum tipo de problema. Que as pessoas julgavam por vezes que jogar à bola é dar chutos na bola mas que não é e que o meu filho joga não só com muita habilidade como também com uma estratégia bem definida que demonstra maturidade. Aí eu respondi que o Pedopsiquiatra era exactamente isso que pretendia ao querer que ele tivesse uma actividade desportiva que gosta, para o estimular a vários niveis e que essa sua avaliação me deixava muito contente.
Saí do treino a pensar no assunto e enquanto caminhávamos para casa, perguntei ao Gonçalo se alguma vez tinha havido alguma conversa sobre deficientes que ele não tivesse contado.
Aí ele disse-me que um colega, tinha falado com um amigo na frente dele, dizendo: _ Olha, este é que é o meu colega deficiente. O Gonçalo respondeu que não era nenhum deficiente. Aí, o amigo para provar a sua tese fez-lhe uma pergunta sobre um problema simples mas que obrigava a fazer abstracção, pergunta essa que o Gonçalo não soube responder. Aí então ele disse: Vês? Então és deficiente!
Naquele preciso momento em que olhava para o meu filho e vi a sua tristeza, o meu mundo veio abaixo.
Como sempre faço porque as tristezas ficam dentro de mim, eu expliquei-lhe que o menino usou aquele termo porque concerteza não sabia explicar de outra forma o problema dele e não teria sido por mal. Depois nós sabemos que ele tem mais dificuldade em determinadas matérias mas que vai chegar lá e com calma, consegui que ele me dissesse o resultado certo do problema.
Abracei-o e viemos os dois para casa a conversar e a rir e é dessa forma que tento sempre minorar a dor que penso que ele possa sentir. Agora a dor que sinto, eu não consegui.
Por casualidade ou não, no dia seguinta assisti a um programa que falava de pessoas diferentes que têem vencido dificuldades e são pessoas realizadas e mais uma vez só soube chorar.
Qualquer um dos meus filhos é muito sensivel e eu sei que o Gonçalo que está sempre atento para saber se estou bem, é capaz de tal como nesta situação, já ter passado por outras que não me contou para que eu não sofra. Conheço bem o ser humano lindo que ele é!
Eu só gostava que os outros pais fossem também sensiveis a estas questões e mostrassem aos filhos que todos temos um lugar aqui neste mundo.
Sinceramente porque me sinto confusa e baralhada e conhecendo gente com maneiras de ser e comportamentos tão diversos mais uma questão se coloca:
Onde começa e acaba a tal de chamada "Normalidade"?

Ana Casanova

terça-feira, 9 de março de 2010

Desalentos


Outrora quando menina
fui princesa, bailarina
queria tocar piano
porque sempre me encantou.
Com um sorriso acordava
e da noite eu não gostava...
não para dormir
que achava perda de tempo!
Para mim era sempre dia
o sol tinha que brilhar
era ele que me aquecia.
Aquilo que eu já dizia
que o tempo da noite viria
acabou por suceder.
Não veio o céu estrelado
nem a luz do luar
vieram as noites frias
aquelas que eu mais temia
sem sequer as esperar.
Sei no entanto porque me conheço
que a menina ainda vive em mim
e da noite fria vou fazer dia
porque estes desalentos
são apenas momentos
que eu sei que irão passar!

Ana Casanova

domingo, 7 de março de 2010

Assim eu sou




Voluvel, Volátil
Frágil, Quebrável
Sonhadora, Voadora
Sentimental, Romântica
Impulsiva, Instável
Pensadora, Faladora
Mimada, Mimosa
Persistente, Coerente
Teimosa, Orgulhosa
Escorregadia, Amante
Inquieta, Liberta

Assim me defino
Assim me sinto
Assim eu sou

MULHER.


Dia 08 de Março é o dia Internacional da mulher. Uma data que serve para lembrar todas as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres mas também para não deixar esquecer todo o tipo de discriminação e violência física e psicológica a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
É este o significado e não o podemos deixar esquecer!

Ana Casanova


quarta-feira, 3 de março de 2010

Vazio




São tantas as vezes
que gritas na minha mente
que ecoas nos meus sentidos...

Mas para quê?
Se o que me dás
não me basta
se me sabe sempre
a tão pouco
e o depois...
é apenas um enorme
e imenso vazio?

Ana Casanova

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Vagabundo



Sem rumo, sem norte

sem porto seguro

Errante, navegante

boémio, sonhador

Vê as estrelas

e ofuscado por elas

vai vivendo...

Num Paraíso

que se chama Inferno!



Ana Casanova

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As minhas dúvidas



Penso que talvez seja uma pessoa muito insatisfeita mas ao mesmo tempo, acho que só assim, questionando e pondo os modelos preconizados em dúvida, posso evoluir e crescer como ser pensante.
Nada na minha vida é um dado adquirido, não consigo reger-me pelos códigos sociais e morais sem os questionar porque considero que muitos estão errados.
Errados porque muitos ainda se regem por ideias completamente ultrapassadas e inusitadas que não fazem mais sentido e quem é diferente dos outros e se expõe acaba sempre sendo julgado.

É nesse aspecto que digo, que muitas vezes me sinto abalada porque por vezes fraquejo por me sentir sózinha numa luta, que sinto, apesar de tudo, ser de muitos.
Apenas é preciso ter coragem para assumir o que se pretende, o que se quer para nós próprios sem medo de julgamentos ou limitações.
Como tenho referido em várias textos ao longo destes dois anos de blog, tenho tido muitas ajudas pelo menos no fortalecimento de tais ideias ou até ideiais.
A prova dada está nos textos que hoje aqui escrevo e que até há uns tempos atrás seriam impensáveis para mim.
Um amigo muito querido e especial deu-me o "empurrão" e outros se seguiram.
Aos poucos, a coragem foi surgindo e como me disse um dia um outro amigo, a Ana corajosa, determinada e lutadora, conseguiu subsistir a outra, tradicional, crédula e medrosa.
Estou constantemente a questionar os outros e a questionar-me mas não desisto de lutar pelo que acredito!

Ana Casanova

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Vermelho paixão




Sempre gostei do amarelo
luz, descontracção
energia, a côr do verão
só que o tempo passou
e precisei de mais côr
Transformei-me
e na metamorfose
virei vermelho...
vermelho paixão
desejo, amor,
calor, atracção
a côr do sangue
côr do coração!

Ana Casanova


Aproveitem o "pretexto" do dia de S. Valentim e namorem muito.
Eu já comecei... ;D

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conversa Amena de Rogério do Carmo

Uma vez, estava eu sentado no Café Chave d'OURO, ali no Rossio, estava desempregado há duas semanas, não tinha onde dormir nem dinheiro para comer, quando dois jovens muito bem arreados, filhos de gente rica,passaram pela minha mesa e disse um para o outro:

-Ah! As vicissitudes da vida!

Uma fúria subiu por mim acima, pedi uma esferográfica (já haviam) ao criado, afastou a minha chávena e o cinzeiro, e vomitei este poema sobre a toalha de papel que cobria a minha mesa:

Pobre menino rico que passas bonito todo risonho enfatuado
Dentro do teu fato novo flutuante e garrido como um balão
E que levas na testa um curso completo e as chaves do carro mostradas
na mão!
Teus lábios rosados cultos saciados sem nenhuma vibração
Atiram posporrentos: As vicissitudes da vida… Numa larga exibição!
Tu que emergiste de um ventre sem fome e sem gritos lauto e repousado
Que tombaste num berço amplo e macio ridìculamente engalanado
E que a vida te surgiu através de uma lente diáfana e colorida
Diz-me: Que sabes tu da vida? Sim! Que sabes tu da vida?
Essa miséria chocante que num insulto apregoas alto e tolamente
Com esse teu falso e intolerável ar pretenciosamente adulto
Foste colhê-la em livros que nem sequer acabaste de ler enfastiado!
Sabes que não há nada pior - Não! Não há nada pior!
Do que nos entregarmos ao que não pertencemos nem nunca pertenceremos?
Que não há nada pior do que recusarmos e negarmos categòricamente
A secreta verdade que dentro de nós dia a dia vamos acalentando?
Alguma vez reparaste naquela prostituta tão idêntica a tantas outras
A passear à noite o olhar ansioso pelas ruas numa constante interrogação?
Reparaste nos seus lábios rodela informe de um vermelho barato
Num sorriso apertado intencional em triste e permanente leilão?
Alguma vez te ocorreu que esses lábios debochados e sem recato
De que lúbrico te utilizas tão vilmente num erotismo desvairado
Outrora foram puros e sedentos palpitantes e de ninguém!
E que um dia esboçaram o seu primeiro sorriso deslumbrado
Como a tua como a minha como a mãe de toda a gente?
Reparaste nos homens que não vão asquerosos num rictus chocarreiro
Que passam e que se viram a fazer chocalhar a porcaria do dinheiro
No fundo sujo dos bolsos numa insinuação sórdida boçal e repelente?
E que até o vento da noite parece chincalhar nos seus cabelos crespos?
Alguma vez andaste descalço por não teres sapatos nem chinelos de trança
Por sobre um asfalto cortante de frio como vidros quebrados no inverno
E a arder implacàvelmente pelos tórridos Agostos de um verão sem esperança?
Alguma vez caminhaste na sombra cosido às paredes quase rastejando
A dissimular dos teus parentes a humilhação de um fato já decrépito?
Alguma vez -tão criança!- foste disfarçado e receoso àquele quartel
Em busca dos restos do rancho e do casqueiro dispersos pelas mesas desoladas
Aquelas mesas longas muito longas de pedra raiada fria e degradante
Para onde eu esticava vorazmente estas mesmas mãos famintas e vexadas?
Depois quando a casa tornavas com os bolsos repletos de duras côdeas
Amargamente irada e deprimida a tua mãe não te dizia:
Não quero! Não quero que voltes mais! Nunca mais! Não quero!
E não haviam lágrimas nas côdeas que em migas ela de seguida te fazia?
Sabes o que é ouvir a minha mãe soluçando toda a noite sufocadamente?
Sabes o que é querermos acima de tudo e de todos nesta maldição de vida
A essa criatura admirável terna e corajosa que me sorri compungida
A única coisa de realmente bom que Deus ainda me não assambarcou
E cá de longe aquela saudade imensa de onde venho e para onde vou
A alastrar em nós como chama crepitante como chaga redentora
Que nos alimenta e ao mesmo tempo nos cansa nos aniquila e nos devora?
Alguma vez te dobraste discretamente na rua como um vulgaríssimo ladrão
A colher na borda conspurcada de um passeio uma ponta de cigarro pelo chão
Para enganar aquela estranha sensação de vácuo na tua boca sequiosa e renitente
A quem tu em vez de cigarros brancos longos e roliços davas pontas requeimadas?
E mais! Alguma vez amaste louca e verdadeiramente uma mulher entristecida?
Alguma vez sentiste húmidos os teus olhos baços e enxutos húmidos de felicidade!
Por a sentires pequena e toda entregue na mísera escassês dos teus braços?
E nota bem! Alguma vez morrendo aos poucos renunciaste ao amor dessa mulher
Pura e simplesmente porque os outros abusivamente assim o decidiram?
Alguma vez palmilhaste meia cidade em busca de um emprego que tarda em vir
Um emprego quantas vezes deplorável asfixiante mas que nos permite subsistir?
Alguma vez passaste uma noite em claro imensa que parecia não ter fim
Num quarto de dormidas económicas pestilento em promíscuas e fétidas exalações
Onde todos dormiam à sua maneira menos tu em horríveis convulsões
Ou pernoitaste no patamar da escada de uma pensão num imundo e febril arrepio
Como um cão raivoso sem dono nem coleira sem tijela nem barraca num desvario?
Alguma vez mascaraste de humildade um ódio grandioso ao esmolar uma parca refeição?
Alguma vez para o bilhete do eléctrico te faltou um denegrido e ridículo tostão?
Alguma vez perverso e aviltado com um desprezo enorme pela humanidade inteira
Alugaste miserávelmente o sexo para pagar uma prestação e calar uma hospedeira?
Alguma vez te masturbaste para conseguir conciliar o sono e não endoidecer ainda?
Alguma vez sentiste nojo um nojo atroz irreparável e viscos de ti próprio?
Alguma vez amando profundamente a vida aquela outra vida que te não foi dado viver
Estiveste à beira de um percipício para te despenhar e não te despenhaste?
Alguma vez choraste de raiva por te saberes impotente para valer a um desgraçado?
Alguma vez soluçaste sobre o cadáver já hirto de um gato todo branco ensanguentado
Que parecia encerrar em seus olhos estranhos e longínquos dum esfíngico mistério
Toda a indiferença e insensibilidade que eu de alto a baixo gostaria de sentir
Por toda essa humanidade com um pouco desse teu ar de estúpida superioridade?
Alguma vez sentiste respeito pelos que num declive gradualmente vão descendo
Porque não têm mais forças nem apoio para resistirem com brio e orgulho combatendo
Para lutarem contra aquela força indecifrável que fatalmente os arrasta e os impele?
Mas depois uma lâmpada acesa por detrás dos foscos vidros de uma janela
Não exercia sobre ti o místico fascínio do brilho cintilante duma intangível estrela?
Alguma vez contrariaste uma tendência ou debelaste um vício menino vicioso?
Alguma vez escreveste um poema mesmo porco lamentável menino intelectual?
Ao menos alguma vez leste um poema até ao fim bom ou mau mas sempre mensageiro?
Alguma vez estiveste desprotegidamente horas e horas sob uma chuva torrencial
Por ser na rua o uníco processo de escutares aquela música sortílega e necessária
Para te ergueres das trevas obsecadas e medonhas de uma loucura quase magistral!

Depois de tudo isto te ter acontecido a rasgar impiedosamente uma efémera juventude
Aqueles breves anos que deveriam ser belos leves e felizes para toda a gente
Quando tu fortemente aprisionada na garra furiosa de uma verdadeira vicissitude
Cheio de um remorso alucinado no rasto do desespero aniquilado e ausente
Esmagado pelo cansaço sem ânimo sequer para esboçar um movimento de revolta
Então acerca-te de mim e fala-me longamente de tua angústia do teu medo torturado
Podes mostrar-te confiadamente e gritar e chorar até sobre o meu ombro já tranquilo
E podes apertar a minha mão como se ela fosse o último apoio consistente que te resta
Porque eu saberei escutar-te até ao fim num balsâmico silêncio afagador
Depois então darte-ei essa mesma mão esquálida no fundo bem erma e bem vazia
Charmarte-ei homem amigo poeta irmão com amizade com ternura e gratidão.
Contarte-ei uma longa história autêntica bruta descoberta sem nunhuma simetria
E levarte-ei vida fora já liberto a mostrar-te as ruas tal como elas são!


Rogério do Carmo
Lisboa, 29/12/1959


Querido Rogério, recebi ontem o teu "Vagas" e quis homenagear-te desta forma, publicando a tua "Conversa amena" de que tanto gosto. Aos meus seguidores e amigos eu peço que entrem no blog do Rogério aqui linkado, o Sombras Vagas e que o oiçam declamar. É simplesmente único e emocionante.
Um homem maravilhoso, com uma vida intensa e muito para contar.
Recebi o seu livro de poemas ontem, chegado de França, onde criou com um grupo de amigos, uma rádio portuguesa, a rádio Alfa de Paris e segundo palavras suas "o ultimo grande, grande amor da sua vida"!