
sábado, 24 de abril de 2010
O meu primeiro livro de poesia

quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sintonia
sábado, 10 de abril de 2010
"Ensinar a sério...brincando"

Como sempre, venho dar-vos notícias dos progressos do Gonçalo.
As aulas começam já na segunda-feira e vamos entrar no terceiro período.
O Gonçalo é um aluno que pelas necessidades educativas especiais de carácter permanente, tem um currículo específico individual.
A boa nova é que na língua portuguesa, já consegue, com ajuda, juntar letras e ditongos e retém a informação de forma mais firme e apesar de com muita ajuda, já vai lendo pequenos textos de três a quatro linhas. Já compreende com maior clareza textos que lhe são lidos e reproduz por suas palavras a síntese dos mesmos. Comunica com maior clareza e motivação notando-se também uma evolução no raciocínio prático e nos parâmetros psico-emocionais, na tolerância à frustração e diminuição de indicadores de ansiedade.
Desenvolveu o sentido de humor e apresenta-se mais alegre e com olhar mais expressivo que no ano anterior.
Em conclusão e salientando que a aprendizagem dele como aluno tem um carácter funcional, a evolução é constante, crescente e significativa segundo os professores, quer do ensino curricular como também dos professores de educação especial e terapia da fala.
Como sabem, eu quero muito que o Gonçalo consiga ler o que nos vai deixar extremamente felizes. Ele adora livros e jogos e conta constantemente com a minha ajuda o que em determinados momentos não é possível.
Ao contrário do que estava pensado e a minha será a palavra final, talvez seja mais positivo que permaneça nesta escola por mais um ano, tendo como objectivo que sejam atingidos os tais níveis mínimos que se pretendem e sempre pensando só e apenas nos seus benefícios e bem estar como aluno.
Como não páro nunca de pesquisar tudo o que diz respeito à hiperactividade com défice de atenção, dislexia e disortografia e como graças a Deus todos os que nos são próximos também se encontram sempre atentos, tive acesso a uma brochura que falava num novo método de aprendizagem chamado de Método Fonomímico elaborado pela Drª Paula Teles e que se dedica à avaliação e reeducação de crianças e jovens com perturbações da Linguagem, da Leitura e da Escrita, Dislexia, Défice de Atenção, Pertubações do Espectro Autista e outras perturbações do desenvolvimento. Segundo várias opiniões que observei de Neurologistas Pediátricos e Psicólogos educacionais este método é eficaz e permite uma descodificação rápida e automática das palavras escritas, ensinando competências básicas de uma maneira alegre, com materiais que "ensinam a sério...brincando...", segundo o Prof. Pedro Cabral, Neurologista pediátrico.
Claro que comprei já o primeiro livro que levarei aos professores na segunda-feira pois tudo faço para que o Gonçalo se sinta motivado e confiante.
Estava um pouco apreensiva com a festa de finalistas porque não quero que ele se sinta de forma nenhuma posto de parte mas a Professora disse-me que ele terá o seu próprio Diploma e festejará juntamente com os colegas que irão partir para outros desafios. Ele ficará em principio, porque penso que precisa de crescer em termos de maturidade e para o ano estará mais preparado para enfrentar outros desafios.
A nossa luta continua e penso que estas nossas vitórias servem de incentivo a outros pais, com filhos com as mesmas necessidades e que travam as mesmas lutas e também de sensibilização a quem delas não necessita mas pode ajudar dando apoio e motivando sem excluir quem segue um caminho diferente de acordo com a sua natureza.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Tantas vezes

Ana Casanova
sábado, 27 de março de 2010
Especial
Ana Casanova
Hoje o meu bonequinho faz 10 anos e eu só quero que ele seja muito feliz!
sábado, 20 de março de 2010
Se me faz sorrir
domingo, 14 de março de 2010
Desabafo de mãe
Por estes dias e após o treino de Futsal do Gonçalo, o treinador veio falar comigo.
Elogiou o desenvolvimento do Gonçalo em dois meses e meio de treino e disse que ele é mesmo uma peça fundamental da equipa. Eu sinto que ele sente um carinho muito especial pelo meu filho mas é natural que aconteça porque o Gonçalo é uma criança extremamente meiga e cativante.
Como sabem e repito para quem não o conhece ainda, é hiperactivo com défice de atenção mas com problemas associados de disortografia e dislexia.
Estranhamente para mim porque os hiperactivos que conheci sempre, são pessoas extremamente agitadas, o Gonçalo tem um procedimento perfeitamente normal para uma criança de 9 anos quase a fazer 10, ainda este mês e só é possivel notar a sua problemática no que diz repeito ao estudo. Ele ainda não consegue ler e escrever como os outros meninos da mesma idade.
Apesar de todas as dificuldades, estamos todos empenhados, familia, médicos e professores, em que a situação seja ultrapassada da melhor forma possivel e os resultados são visiveis de ano para ano. Ao ritmo dele, existe sempre evolução e para mim é sempre uma felicidade que tantas vezes aqui tenho partilhado.
Tudo o que falei até agora é a parte positiva mas aconteceu uma situação que me deixou muito preocupada e passo a contar.
Ao longo da conversa com o treinador, eu como muito atenta que sou fui percebendo que ele me queria dar alguma dica, ao falar que não deviamos dar muita importância quando se falava em "deficiência" porque se ele não soubesse nem nunca diria que o Gonçalo tinha algum tipo de problema. Que as pessoas julgavam por vezes que jogar à bola é dar chutos na bola mas que não é e que o meu filho joga não só com muita habilidade como também com uma estratégia bem definida que demonstra maturidade. Aí eu respondi que o Pedopsiquiatra era exactamente isso que pretendia ao querer que ele tivesse uma actividade desportiva que gosta, para o estimular a vários niveis e que essa sua avaliação me deixava muito contente.
Saí do treino a pensar no assunto e enquanto caminhávamos para casa, perguntei ao Gonçalo se alguma vez tinha havido alguma conversa sobre deficientes que ele não tivesse contado.
Aí ele disse-me que um colega, tinha falado com um amigo na frente dele, dizendo: _ Olha, este é que é o meu colega deficiente. O Gonçalo respondeu que não era nenhum deficiente. Aí, o amigo para provar a sua tese fez-lhe uma pergunta sobre um problema simples mas que obrigava a fazer abstracção, pergunta essa que o Gonçalo não soube responder. Aí então ele disse: Vês? Então és deficiente!
Naquele preciso momento em que olhava para o meu filho e vi a sua tristeza, o meu mundo veio abaixo.
Como sempre faço porque as tristezas ficam dentro de mim, eu expliquei-lhe que o menino usou aquele termo porque concerteza não sabia explicar de outra forma o problema dele e não teria sido por mal. Depois nós sabemos que ele tem mais dificuldade em determinadas matérias mas que vai chegar lá e com calma, consegui que ele me dissesse o resultado certo do problema.
Abracei-o e viemos os dois para casa a conversar e a rir e é dessa forma que tento sempre minorar a dor que penso que ele possa sentir. Agora a dor que sinto, eu não consegui.
Por casualidade ou não, no dia seguinta assisti a um programa que falava de pessoas diferentes que têem vencido dificuldades e são pessoas realizadas e mais uma vez só soube chorar.
Qualquer um dos meus filhos é muito sensivel e eu sei que o Gonçalo que está sempre atento para saber se estou bem, é capaz de tal como nesta situação, já ter passado por outras que não me contou para que eu não sofra. Conheço bem o ser humano lindo que ele é!
Eu só gostava que os outros pais fossem também sensiveis a estas questões e mostrassem aos filhos que todos temos um lugar aqui neste mundo.
Sinceramente porque me sinto confusa e baralhada e conhecendo gente com maneiras de ser e comportamentos tão diversos mais uma questão se coloca:
Onde começa e acaba a tal de chamada "Normalidade"?
Ana Casanova
terça-feira, 9 de março de 2010
Desalentos

domingo, 7 de março de 2010
Assim eu sou
Frágil, Quebrável
Sonhadora, Voadora
Sentimental, Romântica
Impulsiva, Instável
Pensadora, Faladora
Mimada, Mimosa
Persistente, Coerente
Teimosa, Orgulhosa
Escorregadia, Amante
Inquieta, Liberta
Assim me defino
Assim me sinto
Assim eu sou
MULHER.
Dia 08 de Março é o dia Internacional da mulher. Uma data que serve para lembrar todas as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres mas também para não deixar esquecer todo o tipo de discriminação e violência física e psicológica a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
É este o significado e não o podemos deixar esquecer!
Ana Casanova
quarta-feira, 3 de março de 2010
Vazio
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Vagabundo
sem porto seguro
Errante, navegante
boémio, sonhador
Vê as estrelas
e ofuscado por elas
vai vivendo...
Num Paraíso
que se chama Inferno!
Ana Casanova
sábado, 20 de fevereiro de 2010
As minhas dúvidas

Penso que talvez seja uma pessoa muito insatisfeita mas ao mesmo tempo, acho que só assim, questionando e pondo os modelos preconizados em dúvida, posso evoluir e crescer como ser pensante.
Nada na minha vida é um dado adquirido, não consigo reger-me pelos códigos sociais e morais sem os questionar porque considero que muitos estão errados.
Errados porque muitos ainda se regem por ideias completamente ultrapassadas e inusitadas que não fazem mais sentido e quem é diferente dos outros e se expõe acaba sempre sendo julgado.
É nesse aspecto que digo, que muitas vezes me sinto abalada porque por vezes fraquejo por me sentir sózinha numa luta, que sinto, apesar de tudo, ser de muitos.
Apenas é preciso ter coragem para assumir o que se pretende, o que se quer para nós próprios sem medo de julgamentos ou limitações.
Como tenho referido em várias textos ao longo destes dois anos de blog, tenho tido muitas ajudas pelo menos no fortalecimento de tais ideias ou até ideiais.
A prova dada está nos textos que hoje aqui escrevo e que até há uns tempos atrás seriam impensáveis para mim.
Um amigo muito querido e especial deu-me o "empurrão" e outros se seguiram.
Aos poucos, a coragem foi surgindo e como me disse um dia um outro amigo, a Ana corajosa, determinada e lutadora, conseguiu subsistir a outra, tradicional, crédula e medrosa.
Estou constantemente a questionar os outros e a questionar-me mas não desisto de lutar pelo que acredito!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Vermelho paixão
Sempre gostei do amarelo
luz, descontracção
energia, a côr do verão
só que o tempo passou
e precisei de mais côr
Transformei-me
e na metamorfose
virei vermelho...
vermelho paixão
desejo, amor,
calor, atracção
a côr do sangue
côr do coração!
Ana Casanova
Aproveitem o "pretexto" do dia de S. Valentim e namorem muito.
Eu já comecei... ;D
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Conversa Amena de Rogério do Carmo
Uma vez, estava eu sentado no Café Chave d'OURO, ali no Rossio, estava desempregado há duas semanas, não tinha onde dormir nem dinheiro para comer, quando dois jovens muito bem arreados, filhos de gente rica,passaram pela minha mesa e disse um para o outro:-Ah! As vicissitudes da vida!
Uma fúria subiu por mim acima, pedi uma esferográfica (já haviam) ao criado, afastou a minha chávena e o cinzeiro, e vomitei este poema sobre a toalha de papel que cobria a minha mesa:
Pobre menino rico que passas bonito todo risonho enfatuado
Dentro do teu fato novo flutuante e garrido como um balão
E que levas na testa um curso completo e as chaves do carro mostradas
na mão!
Teus lábios rosados cultos saciados sem nenhuma vibração
Atiram posporrentos: As vicissitudes da vida… Numa larga exibição!
Tu que emergiste de um ventre sem fome e sem gritos lauto e repousado
Que tombaste num berço amplo e macio ridìculamente engalanado
E que a vida te surgiu através de uma lente diáfana e colorida
Diz-me: Que sabes tu da vida? Sim! Que sabes tu da vida?
Essa miséria chocante que num insulto apregoas alto e tolamente
Com esse teu falso e intolerável ar pretenciosamente adulto
Foste colhê-la em livros que nem sequer acabaste de ler enfastiado!
Sabes que não há nada pior - Não! Não há nada pior!
Do que nos entregarmos ao que não pertencemos nem nunca pertenceremos?
Que não há nada pior do que recusarmos e negarmos categòricamente
A secreta verdade que dentro de nós dia a dia vamos acalentando?
Alguma vez reparaste naquela prostituta tão idêntica a tantas outras
A passear à noite o olhar ansioso pelas ruas numa constante interrogação?
Reparaste nos seus lábios rodela informe de um vermelho barato
Num sorriso apertado intencional em triste e permanente leilão?
Alguma vez te ocorreu que esses lábios debochados e sem recato
De que lúbrico te utilizas tão vilmente num erotismo desvairado
Outrora foram puros e sedentos palpitantes e de ninguém!
E que um dia esboçaram o seu primeiro sorriso deslumbrado
Como a tua como a minha como a mãe de toda a gente?
Reparaste nos homens que não vão asquerosos num rictus chocarreiro
Que passam e que se viram a fazer chocalhar a porcaria do dinheiro
No fundo sujo dos bolsos numa insinuação sórdida boçal e repelente?
E que até o vento da noite parece chincalhar nos seus cabelos crespos?
Alguma vez andaste descalço por não teres sapatos nem chinelos de trança
Por sobre um asfalto cortante de frio como vidros quebrados no inverno
E a arder implacàvelmente pelos tórridos Agostos de um verão sem esperança?
Alguma vez caminhaste na sombra cosido às paredes quase rastejando
A dissimular dos teus parentes a humilhação de um fato já decrépito?
Alguma vez -tão criança!- foste disfarçado e receoso àquele quartel
Em busca dos restos do rancho e do casqueiro dispersos pelas mesas desoladas
Aquelas mesas longas muito longas de pedra raiada fria e degradante
Para onde eu esticava vorazmente estas mesmas mãos famintas e vexadas?
Depois quando a casa tornavas com os bolsos repletos de duras côdeas
Amargamente irada e deprimida a tua mãe não te dizia:
Não quero! Não quero que voltes mais! Nunca mais! Não quero!
E não haviam lágrimas nas côdeas que em migas ela de seguida te fazia?
Sabes o que é ouvir a minha mãe soluçando toda a noite sufocadamente?
Sabes o que é querermos acima de tudo e de todos nesta maldição de vida
A essa criatura admirável terna e corajosa que me sorri compungida
A única coisa de realmente bom que Deus ainda me não assambarcou
E cá de longe aquela saudade imensa de onde venho e para onde vou
A alastrar em nós como chama crepitante como chaga redentora
Que nos alimenta e ao mesmo tempo nos cansa nos aniquila e nos devora?
Alguma vez te dobraste discretamente na rua como um vulgaríssimo ladrão
A colher na borda conspurcada de um passeio uma ponta de cigarro pelo chão
Para enganar aquela estranha sensação de vácuo na tua boca sequiosa e renitente
A quem tu em vez de cigarros brancos longos e roliços davas pontas requeimadas?
E mais! Alguma vez amaste louca e verdadeiramente uma mulher entristecida?
Alguma vez sentiste húmidos os teus olhos baços e enxutos húmidos de felicidade!
Por a sentires pequena e toda entregue na mísera escassês dos teus braços?
E nota bem! Alguma vez morrendo aos poucos renunciaste ao amor dessa mulher
Pura e simplesmente porque os outros abusivamente assim o decidiram?
Alguma vez palmilhaste meia cidade em busca de um emprego que tarda em vir
Um emprego quantas vezes deplorável asfixiante mas que nos permite subsistir?
Alguma vez passaste uma noite em claro imensa que parecia não ter fim
Num quarto de dormidas económicas pestilento em promíscuas e fétidas exalações
Onde todos dormiam à sua maneira menos tu em horríveis convulsões
Ou pernoitaste no patamar da escada de uma pensão num imundo e febril arrepio
Como um cão raivoso sem dono nem coleira sem tijela nem barraca num desvario?
Alguma vez mascaraste de humildade um ódio grandioso ao esmolar uma parca refeição?
Alguma vez para o bilhete do eléctrico te faltou um denegrido e ridículo tostão?
Alguma vez perverso e aviltado com um desprezo enorme pela humanidade inteira
Alugaste miserávelmente o sexo para pagar uma prestação e calar uma hospedeira?
Alguma vez te masturbaste para conseguir conciliar o sono e não endoidecer ainda?
Alguma vez sentiste nojo um nojo atroz irreparável e viscos de ti próprio?
Alguma vez amando profundamente a vida aquela outra vida que te não foi dado viver
Estiveste à beira de um percipício para te despenhar e não te despenhaste?
Alguma vez choraste de raiva por te saberes impotente para valer a um desgraçado?
Alguma vez soluçaste sobre o cadáver já hirto de um gato todo branco ensanguentado
Que parecia encerrar em seus olhos estranhos e longínquos dum esfíngico mistério
Toda a indiferença e insensibilidade que eu de alto a baixo gostaria de sentir
Por toda essa humanidade com um pouco desse teu ar de estúpida superioridade?
Alguma vez sentiste respeito pelos que num declive gradualmente vão descendo
Porque não têm mais forças nem apoio para resistirem com brio e orgulho combatendo
Para lutarem contra aquela força indecifrável que fatalmente os arrasta e os impele?
Mas depois uma lâmpada acesa por detrás dos foscos vidros de uma janela
Não exercia sobre ti o místico fascínio do brilho cintilante duma intangível estrela?
Alguma vez contrariaste uma tendência ou debelaste um vício menino vicioso?
Alguma vez escreveste um poema mesmo porco lamentável menino intelectual?
Ao menos alguma vez leste um poema até ao fim bom ou mau mas sempre mensageiro?
Alguma vez estiveste desprotegidamente horas e horas sob uma chuva torrencial
Por ser na rua o uníco processo de escutares aquela música sortílega e necessária
Para te ergueres das trevas obsecadas e medonhas de uma loucura quase magistral!
Depois de tudo isto te ter acontecido a rasgar impiedosamente uma efémera juventude
Aqueles breves anos que deveriam ser belos leves e felizes para toda a gente
Quando tu fortemente aprisionada na garra furiosa de uma verdadeira vicissitude
Cheio de um remorso alucinado no rasto do desespero aniquilado e ausente
Esmagado pelo cansaço sem ânimo sequer para esboçar um movimento de revolta
Então acerca-te de mim e fala-me longamente de tua angústia do teu medo torturado
Podes mostrar-te confiadamente e gritar e chorar até sobre o meu ombro já tranquilo
E podes apertar a minha mão como se ela fosse o último apoio consistente que te resta
Porque eu saberei escutar-te até ao fim num balsâmico silêncio afagador
Depois então darte-ei essa mesma mão esquálida no fundo bem erma e bem vazia
Charmarte-ei homem amigo poeta irmão com amizade com ternura e gratidão.
Contarte-ei uma longa história autêntica bruta descoberta sem nunhuma simetria
E levarte-ei vida fora já liberto a mostrar-te as ruas tal como elas são!
Rogério do Carmo
Lisboa, 29/12/1959
Querido Rogério, recebi ontem o teu "Vagas" e quis homenagear-te desta forma, publicando a tua "Conversa amena" de que tanto gosto. Aos meus seguidores e amigos eu peço que entrem no blog do Rogério aqui linkado, o Sombras Vagas e que o oiçam declamar. É simplesmente único e emocionante.
Um homem maravilhoso, com uma vida intensa e muito para contar.
Recebi o seu livro de poemas ontem, chegado de França, onde criou com um grupo de amigos, uma rádio portuguesa, a rádio Alfa de Paris e segundo palavras suas "o ultimo grande, grande amor da sua vida"!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Agarra-me
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

quando existe entrega
é pura poesia
quando me excitas,
e quando brincas,
que a vida acontece,
é possivel agora,
e nada existe lá fora...
Ana Casanova
sábado, 30 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Parabéns a nós, Élcio!

Pediste para colocar uma foto de infancia ou adolescência e contar uma história engraçada.
Estive a mexer em fotos antigas e escolhi esta que para mim é especial. Estou ao colo de uma prima querida, a Geny, que há uns meses me encontrou aqui por este blog que tantas alegrias me tem dado.
Fiz dois anos de blog a 8 de Janeiro e deixei passar o dia, e aproveito para festejar contigo. Tenho certeza que não te importarás.
Hoje festejo também o aniversário da minha mãe e assim é um dia em cheio.
Sobre mim enquanto criança posso-te dizer que ao contrário dos outros bébés que adoravam colo, eu sentia-me muito insegura. A minha mãe dizia que eu parecia um passarinho de asas abertas assim que me pegavam.
Outra particularidade, é que odiava o silêncio mas não era música que eu gostava, era de conversa mesmo! A minha mãe adoptou o sistema de colocar junto a mim, um rádio que tinha que estar sempre num programa de noticias porque eu queria ouvir falar. Se parasse eu começava a chorar. Adorava conversar com o rádio. Já se adivinhava a Ana que fala pelos cotovelos. Lol
É com enorme prazer que deixo aqui os meus parabéns a um poeta maravilhoso e sensível e a quem tenho a honra de chamar de amigo.
Para participar fizeste-me reviver momentos passados na minha Luanda que farão sempre parte da minha vida!
Ana Casanova
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Memórias

em coisas antigas
umas boas outras más
mas muitas até esquecidas
mas bastou remexer
no baú das memórias
e tudo renasce
lembrança e sentir
coisas passadas
mas que afinal persistem
porque mexeram comigo.
Ana Casanova
Por vezes sinto isto como uma fraqueza. Um coração que me atraiçoa e prega partidas.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Escrever e rescrever...a vida - Paulo Gaminha

Linhas avessas, desencontradas no caderno da vida
Borracha que se passa em cada contradição
Rasura que se rege em cada palavra indevida!!!
Somos senhores do destino que nos obriga a eleger...
Fugimos ao esquecimento que nos devora
Desgarramos a mão a cavar uma fuga, um amanhecer...
Gritamos aos ouvidos entorpecidos, que existe uma aurora!!!
Não queremos fazer parte deste jogo universal...
Nem queremos temer este marasmo castrador
Queremos provar aquele corpo ... o seu sabor a sal
Queremos acreditar que dentro de nós há um salvador!!!
Tomemos as rédeas da história ... com lápis de carvão
Se nascer em nós erro grosseiro ou contradição...
Voltemos a escrever ... a usurpar o papel ao escrivão
Para corrigir o erro da cobardia, consumada maldição!!!
Chamas do Fénix
Poema de Paulo Gaminha, um novo amigo escritor já com o seu primeiro livro editado, "O domador de palavras".
Porque o acho fantástico como ser humano e escritor deixo aqui a sugestão de visita ao seu blog. Tenho certeza que gostarão tanto como eu.
Ana Casanova
domingo, 17 de janeiro de 2010
Em nome do amor
Mais uma vez e porque posso ser tudo menos acomodada, senti necessidade de falar das relações e do amor, ou do que se faz em nome dele. Senti necessidade do desabafo por situações que não entendo de pessoas que considero inteligentes, fortes e que pensava com vontade própria.Como escrevi em tempos e aqui volto a transcrever, amar não é aprisionar, não é possuir, não é sufocar pois ao fazê-lo estamos a destruir o outro em nome de um sentimento tão sublime que se chama AMOR!
É preciso que se entenda que perdemos toda a magia quando tentamos fazer do outro reflexo de nós próprios e das nossas expectativas.
Como muitos sabem e nunca o escondi, estou de novo a dar uma segunda chance à minha segunda relação. Não somos perfeitos, erramos e acertamos mas se decidimos voltar não é para ser tudo igual, é para fazer tudo diferente. Se resulta ou não é uma incógnita como tudo nesta vida mas não é por isso que vamos ter medo de viver.
Senti esta necessidade porque acho que o problema de muita gente, não o meu caso, porque eu sempre fui livre e cada vez mais sinto falta do meu espaço, porque soube o que era estar sózinha, é viver com medos de tudo e com total insegurança. Eu se tivesse que colocar uma trela no marido com medo disto e daquilo não o queria!
Óbviamente não vou falar de nenhum caso particular até porque conheço tantos...
As mulheres têem amigos mas os maridos não sabem e vice-versa. Falar, rir, brincar não é permitido mas claro que tudo acontece na mesma! Mas o que as pessoas preferem? Viver na ignorância? E porque culpabilizam os maridos se depois conheço o reverso e as mulheres fazem o mesmo? Acho que aqui algo está muito mal. As pessoas anulam-se, deixam de ser quem são, vivem apavoradas e sem qualquer tipo de motivo. Será que não entendem que quando não funciona de qualquer jeito, não é com "restrições" que vai resultar? Eu não consigo funcionar assim. Daí resultam as tais expressões quando as pessoas se casam, do "vais-te enforcar", quando uma união por amor é única. Acho que era bem melhor se tirassem as teias de aranha da cabeça e vivessem as relações como tudo na vida, o dia a dia com amor, prazer, companheirismo.
Se é para ser uma sombra, um fantoche, então o melhor é acabarem de vez com esse sofrimento!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Tanta emoção
Ana Casanova
Um poema que escrevi há quase um ano e ao reler me apeteceu voltar a publicar.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
De volta!
Como vos disse, dei realmente entrada no hospital no domingo à tarde e fui operada na segunda-feira. Para além das manifestações de carinho que recebi aqui no blog, vários amigos mandaram mensagem para o meu telemóvel, para o mail e fui inundada de mimos que me souberam muito bem. O meu pequerruchinho antes de eu ir, meteu-me no braço uma pulseira de borracha cor de laranja que o tio tinha comprado para ajuda da Fundação Gil, deu-lhe um beijinho e disse que era para ir comigo. Só a tirei na hora de ir para o bloco operatório. A minha mãe deu-me umas orações para rezar e levei comigo porque nunca me abandona, uma Nª Srª de Fátima que a minha avó materna que já partiu me ofereceu.
Apesar de alguns pequenos percalços porque o sistema de saúde está cada vez pior, fomos apesar dos nervos e das dores, rindo umas com as outras e ajudando as que já tinham sido operadas o que fizeram comigo depois, também.
Nem vinte e quatro horas passadas e já estava em casa. Agora estarei quinze dias a liquidos de duas em duas horas e um mês a dieta pastosa e espero que este assunto esteja resolvido.
Um muito obrigado e um beijinho muito carinhoso a todos, porque podem ter certeza que sentir tanta gente comigo me deu uma força enorme!
Ana Casanova
sábado, 9 de janeiro de 2010
Finalmente

Hoje foi dia de decisões quanto à minha operação. Como o meu problema de anemia se prende com perdas de sangue e se encontra em Portugal um grande especialista japonês que faz embolizações ( em explicação grosseira, porque não sei explicar de outra forma, é metida pela virilha uma sonda que vai bloquear artérias que irrigam o útero, o que evita perdas grandes de sangue), estavam os médicos a pensar se primeiro faria essa operação ou se operaria o estomago. Esta operação devia ter sido feita em Agosto e não foi, por causa da anemia que teve que ser tratada com várias doses de ferro endovenoso.
Neste momento os valores estabilizaram num valor minimo de 11.6 que consideram aceitável para operar e decidimos em conjunto que estava na hora.
O meu médico, lá arranjou uma vaga na segunda-feira à tarde e dou entrada no hospital, no domingo às 14 horas.
Sinto um misto de sensações boas e más porque confesso, a sala de operações, e a sensação do apagar da anestesia me deixa ansiosa. No entanto e ao mesmo tempo, eu quero muito resolver estes assuntos que se prendem com a minha saúde para me sentir de novo "Eu" e centrar-me na luta principal da minha vida.
Hoje foi festa de Reis na escola do Gonçalo e houve uma pequena apresentação de Futsal e o meu jogador marcou um golo. Que orgulhosa que esta mãe fica!
Comemos brigadeiro, rimos, tirámos fotografias, encontrei um grande amigo que chegou da Jordania e tem uma sobrinha coleguinha do Gonçalo e fez-me bem aquele momento tão bom de convivio entre pais e filhos. Acreditem que a "macacada era geral" e por vezes não se distinguiam as idades e isso é tão bom!
Para marcar este dia, tirámos esta foto com as coroas que fizeram.
Vim cansada mas feliz e vou aproveitar o tempo que me sobra até ir, para deixar tudo resolvido porque aqui a "corujona" é mesmo assim.
Vou aproveitar bem o dia para mimar muito os meus filhotes e desejo para mim, porque também mereço, que este seja o ano da mudança que tanto preciso.
Um beijo e...
ATÉ JÁ!
Ana Casanova
sábado, 2 de janeiro de 2010
Amor
Muito amor
é muito amor que eu preciso
Tudo o resto eu perdi
mas sem ti eu não consigo
porque o amor dá-me vida
força, alimento, calor
inunda todo o meu ser
Tudo o resto eu perdi...
Mas se tu Amor não me faltares,
eu juro que vou resistir!
Ana Casanova
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Angolano

Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?
Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...
A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!
Neves e Sousa
Além de pintor era também poeta e soube retratar as gentes e a terra Angolana como ninguém, tamanha a sua paixão.
A mesma paixão que me alimenta e me faz deixar aqui este belo e sentido poema na ultima postagem que faço este ano.
Desejo a todos um Feliz Ano de 2010 com muita Paz, Amor, Saúde e Sucesso!
Agradeço de forma muito sentida a vossa companhia, dedicação e carinho que retribuo. É bom estar aqui convosco!
Ana Casanova
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Mensagem de Natal
"Mãe negra" de N´TanguNatal
Do menino negro
Que é igual
Ao menino branco
E o menino negro
Ao ser amamentado...
A sua Mãe
Também Negra
Alimenta-o
Dá-lhe o seu leite
Leite de Negra
Que é apenas
Leite Branco!...
LILI LARANJO
Agradeço ao meu querido amigo António Pais, a oferta deste livro que me proporcionou conhecer a escritora Lili Laranjo, uma pessoa sensivel e lutadora. Temos todos em comum o amor por Angola e o sonho que tenho a certeza partilham comigo, de que nesta época de reflexão, se questione e reflicta e se faça passar a mensagem de que o Natal num sorriso de criança devia ser todos os dias.
Lili diz no seu livro que "cada um de nós não pode mudar o mundo mas todos juntos conseguiremos pelo menos incomodar".
Transcrevo também a dedicatória que escreveu no meu livro e que diz:
Ana
um livro e um amigo são para sempre.
Portanto, aqui está o António!...
Um beijo
Lili Laranjo
Desejo a todos um Natal com muita Paz e Amor
Ana Casanova
domingo, 20 de dezembro de 2009
Deste modo ou daquele modo

Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
Alberto Caeiro
Apenas transcrevi parte deste poema que me toca muito particularmente.
Ana Casanova
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Orgulhosa!

Hoje estou feliz! Sei que sou uma tola mas só tenho vontade de chorar de tanta emoção e alegria.
O motivo é dos melhores porque é de muito orgulho pelas boas novas que tive acerca da evolução do Gonçalo.
Estamos no final do primeiro período escolar e levei ao pedopsiquiatra, a avaliação da Professora do apoio especial . O Gonçalo evoluiu em todas as vertentes.
Doi-me, sempre que leio escrito num papel, que o meu filho tem um problema cognitivo grave dados os problemas de dislexia, disortografia e hiperactividade com défice de atenção mas saber que a cada ano evolui e neste momento se encontra totalmente motivado para aprender a escrever e ler é muito bom!
Devem-se lembrar da conversa que tive com ele no principio do ano e do que ele me prometeu.
Estamos a lutar todos em conjunto e os resultados estão à vista. O médico disse-me ainda hoje que há muito caminho a percorrer e a luta vai ser dura mas estamos cá para isso!
Quando o médico lhe apertou a mão e deu os parabéns e o sorriso dele se abriu, eu senti um orgulho sem limites.
Chegámos da consulta, comeu a correr e foi para a escola, porque detesta chegar atrasado.
Eu como sabia que hoje era dia de apoio, tive que ir à escola para saber mais detalhes e fazer as mil e uma perguntas que tinha e tenho sempre para fazer.
A professora diz que o Gonçalo está extremamente motivado, mais solto mais feliz, com uma maior auto-estima e o trabalho desenvolve-se em todas as vertentes. A sua educação está baseada na funcionalidade e com suporte no concretizável. Soube que a escola para onde irá no próximo ano, é das poucas escolas que já tem um projecto para crianças com caracteristicas especiais e são 30 meninos. As disciplinas serão escolhidas em conjunto por pais e professores e mesmo disciplinas como português e matemática estão de acordo com as suas capacidades e plano de estudo específico. Têem depois as aulas de apoio e as oficinas. A inovação é exactamente esta. Soube o que me deixou completamente estupefacta, que houve muitos pais de meninos sem qualquer problema que estavam contra as oficinas porque achavam que os nosso filhos estavam a ser beneficiados. Como é isto possivel? Será que eles não conseguem pensar como seria bom se o meu filho não precisasse de atenções especiais? O egoismo, a inveja e a maldade impera em muitas almas, infelizmente. O que importa é que o projecto está já em concretização e com sucesso e as crianças terão aulas de artes, informática, carpintaria e outras. Estão a acabar com as escolas especiais porque as crianças são todas iguais e têem que estar integradas. Se as colocam de parte logo em pequenas, como querem que depois sejam aceites em adultas?
A escola acompanha os alunos até à idade adulta integrando-os no mercado de trabalho, o que me deixou muito satisfeita e mais tranquila.
Entretanto e como começou agora a ter futebol como actividade extra, soube agora mesmo que o Gonçalo está a jogar como ponta de lança, tem o seu primeiro jogo no sábado e o treinador considera-o com bastantes capacidades.
Com tudo isto estou como uma "perua inchada" mas acho que me entendem e como até estamos no Natal...
Beijinhos para todos, meus e do Gonçalo.
domingo, 13 de dezembro de 2009
De mãos dadas

Escrevemos um poema
Apeteceu-me voltar a publicá-lo porque sinto imensas saudades dele e não me esqueço do prazer que nos deu fazê-lo.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Sensualidade

Sensualidade está num, olhar num gesto, numa atitude expressa. Algo belo, natural e espontâneo que existe em nós. Nem sempre está imediatamente visível, já que muitas mulheres o têm latente em si e apenas não o exprimem por pudor, pela educação que tiveram...
Todas temos um determinado encanto, um jeito muito nosso de ser, de nos expressarmos com palavras ou num gesto que tantas vezes diz tanto ou mais que muitas palavras. Marcar presença, ser feminina e saber usá-lo a nosso favor.
Hoje vivemos num mundo em que muito nos é exigido, já que sensualidade e sedução são fortemente exploradas. Continuo a achar no entanto, que mesmo que confundidas, na medida em que provocamos quem nos olha, ou quem nos olha se sente provocado, não são exactamente a mesma coisa.
A sensualidade está em nós e a sedução é produzida para surtir um determinado efeito. Acho que podemos usá-las na dose certa e com certeza nos sentiremos mais bonitas, radiosas e os relacionamentos serão bem mais prazeirosos!
Ana Casanova
Este texto foi escrito para um blog chamado Sensuality bem como outros dois que pretendo publicar aqui, a convite de um amigo. Uma parceria num blog onde falariamos de homens e mulheres, sensualidade, paixão, erotismo, desejo. Aceitei prontamente e tenho pena que por falta de tempo dele, não tenhamos continuado a escrever.
Para ti Richard, um grande beijinho.
domingo, 6 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Pergunta-me - Mia Couto
Pergunta-mese ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
Mia Couto
António Emílio Leite Couto,(Mia Couto) poeta nascido na cidade da Beira em Moçambique no ano de 1955. Mia era o nome que o irmão mais novo lhe chamava por não saber pronunciar Emílio, no entanto o poeta refere que também tem muito a ver pela sua paixão pelos felinos. Segundo familiares, em pequeno costumava dizer que queria ser um gato.
No seu percurso de vida, abandonou o curso de medicina, dedicou-se ao jornalismo, acabando por tirar o curso de Biólogo.
Escreveu poemas, contos e romances tendo recebido vários prémios. É o escritor Moçambicano mais traduzido no estrangeiro. As suas obras foram traduzidas em Alemão, Francês, Espanhol, Catalão, Inglês e Italiano sendo também o mais lido em Portugal.
Um escritor que tem uma forma muito própria de escrever e rica em neologismos, dando novos sentidos às palavras e inventando outras.
Quero dedicar este belo poema a dois amigos, o António, "Tentativas Poemáticas" e a Isabel Monteverde "Artista Maldito".













