sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Vagabundo



Sem rumo, sem norte

sem porto seguro

Errante, navegante

boémio, sonhador

Vê as estrelas

e ofuscado por elas

vai vivendo...

Num Paraíso

que se chama Inferno!



Ana Casanova

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As minhas dúvidas



Penso que talvez seja uma pessoa muito insatisfeita mas ao mesmo tempo, acho que só assim, questionando e pondo os modelos preconizados em dúvida, posso evoluir e crescer como ser pensante.
Nada na minha vida é um dado adquirido, não consigo reger-me pelos códigos sociais e morais sem os questionar porque considero que muitos estão errados.
Errados porque muitos ainda se regem por ideias completamente ultrapassadas e inusitadas que não fazem mais sentido e quem é diferente dos outros e se expõe acaba sempre sendo julgado.

É nesse aspecto que digo, que muitas vezes me sinto abalada porque por vezes fraquejo por me sentir sózinha numa luta, que sinto, apesar de tudo, ser de muitos.
Apenas é preciso ter coragem para assumir o que se pretende, o que se quer para nós próprios sem medo de julgamentos ou limitações.
Como tenho referido em várias textos ao longo destes dois anos de blog, tenho tido muitas ajudas pelo menos no fortalecimento de tais ideias ou até ideiais.
A prova dada está nos textos que hoje aqui escrevo e que até há uns tempos atrás seriam impensáveis para mim.
Um amigo muito querido e especial deu-me o "empurrão" e outros se seguiram.
Aos poucos, a coragem foi surgindo e como me disse um dia um outro amigo, a Ana corajosa, determinada e lutadora, conseguiu subsistir a outra, tradicional, crédula e medrosa.
Estou constantemente a questionar os outros e a questionar-me mas não desisto de lutar pelo que acredito!

Ana Casanova

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Vermelho paixão




Sempre gostei do amarelo
luz, descontracção
energia, a côr do verão
só que o tempo passou
e precisei de mais côr
Transformei-me
e na metamorfose
virei vermelho...
vermelho paixão
desejo, amor,
calor, atracção
a côr do sangue
côr do coração!

Ana Casanova


Aproveitem o "pretexto" do dia de S. Valentim e namorem muito.
Eu já comecei... ;D

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conversa Amena de Rogério do Carmo

Uma vez, estava eu sentado no Café Chave d'OURO, ali no Rossio, estava desempregado há duas semanas, não tinha onde dormir nem dinheiro para comer, quando dois jovens muito bem arreados, filhos de gente rica,passaram pela minha mesa e disse um para o outro:

-Ah! As vicissitudes da vida!

Uma fúria subiu por mim acima, pedi uma esferográfica (já haviam) ao criado, afastou a minha chávena e o cinzeiro, e vomitei este poema sobre a toalha de papel que cobria a minha mesa:

Pobre menino rico que passas bonito todo risonho enfatuado
Dentro do teu fato novo flutuante e garrido como um balão
E que levas na testa um curso completo e as chaves do carro mostradas
na mão!
Teus lábios rosados cultos saciados sem nenhuma vibração
Atiram posporrentos: As vicissitudes da vida… Numa larga exibição!
Tu que emergiste de um ventre sem fome e sem gritos lauto e repousado
Que tombaste num berço amplo e macio ridìculamente engalanado
E que a vida te surgiu através de uma lente diáfana e colorida
Diz-me: Que sabes tu da vida? Sim! Que sabes tu da vida?
Essa miséria chocante que num insulto apregoas alto e tolamente
Com esse teu falso e intolerável ar pretenciosamente adulto
Foste colhê-la em livros que nem sequer acabaste de ler enfastiado!
Sabes que não há nada pior - Não! Não há nada pior!
Do que nos entregarmos ao que não pertencemos nem nunca pertenceremos?
Que não há nada pior do que recusarmos e negarmos categòricamente
A secreta verdade que dentro de nós dia a dia vamos acalentando?
Alguma vez reparaste naquela prostituta tão idêntica a tantas outras
A passear à noite o olhar ansioso pelas ruas numa constante interrogação?
Reparaste nos seus lábios rodela informe de um vermelho barato
Num sorriso apertado intencional em triste e permanente leilão?
Alguma vez te ocorreu que esses lábios debochados e sem recato
De que lúbrico te utilizas tão vilmente num erotismo desvairado
Outrora foram puros e sedentos palpitantes e de ninguém!
E que um dia esboçaram o seu primeiro sorriso deslumbrado
Como a tua como a minha como a mãe de toda a gente?
Reparaste nos homens que não vão asquerosos num rictus chocarreiro
Que passam e que se viram a fazer chocalhar a porcaria do dinheiro
No fundo sujo dos bolsos numa insinuação sórdida boçal e repelente?
E que até o vento da noite parece chincalhar nos seus cabelos crespos?
Alguma vez andaste descalço por não teres sapatos nem chinelos de trança
Por sobre um asfalto cortante de frio como vidros quebrados no inverno
E a arder implacàvelmente pelos tórridos Agostos de um verão sem esperança?
Alguma vez caminhaste na sombra cosido às paredes quase rastejando
A dissimular dos teus parentes a humilhação de um fato já decrépito?
Alguma vez -tão criança!- foste disfarçado e receoso àquele quartel
Em busca dos restos do rancho e do casqueiro dispersos pelas mesas desoladas
Aquelas mesas longas muito longas de pedra raiada fria e degradante
Para onde eu esticava vorazmente estas mesmas mãos famintas e vexadas?
Depois quando a casa tornavas com os bolsos repletos de duras côdeas
Amargamente irada e deprimida a tua mãe não te dizia:
Não quero! Não quero que voltes mais! Nunca mais! Não quero!
E não haviam lágrimas nas côdeas que em migas ela de seguida te fazia?
Sabes o que é ouvir a minha mãe soluçando toda a noite sufocadamente?
Sabes o que é querermos acima de tudo e de todos nesta maldição de vida
A essa criatura admirável terna e corajosa que me sorri compungida
A única coisa de realmente bom que Deus ainda me não assambarcou
E cá de longe aquela saudade imensa de onde venho e para onde vou
A alastrar em nós como chama crepitante como chaga redentora
Que nos alimenta e ao mesmo tempo nos cansa nos aniquila e nos devora?
Alguma vez te dobraste discretamente na rua como um vulgaríssimo ladrão
A colher na borda conspurcada de um passeio uma ponta de cigarro pelo chão
Para enganar aquela estranha sensação de vácuo na tua boca sequiosa e renitente
A quem tu em vez de cigarros brancos longos e roliços davas pontas requeimadas?
E mais! Alguma vez amaste louca e verdadeiramente uma mulher entristecida?
Alguma vez sentiste húmidos os teus olhos baços e enxutos húmidos de felicidade!
Por a sentires pequena e toda entregue na mísera escassês dos teus braços?
E nota bem! Alguma vez morrendo aos poucos renunciaste ao amor dessa mulher
Pura e simplesmente porque os outros abusivamente assim o decidiram?
Alguma vez palmilhaste meia cidade em busca de um emprego que tarda em vir
Um emprego quantas vezes deplorável asfixiante mas que nos permite subsistir?
Alguma vez passaste uma noite em claro imensa que parecia não ter fim
Num quarto de dormidas económicas pestilento em promíscuas e fétidas exalações
Onde todos dormiam à sua maneira menos tu em horríveis convulsões
Ou pernoitaste no patamar da escada de uma pensão num imundo e febril arrepio
Como um cão raivoso sem dono nem coleira sem tijela nem barraca num desvario?
Alguma vez mascaraste de humildade um ódio grandioso ao esmolar uma parca refeição?
Alguma vez para o bilhete do eléctrico te faltou um denegrido e ridículo tostão?
Alguma vez perverso e aviltado com um desprezo enorme pela humanidade inteira
Alugaste miserávelmente o sexo para pagar uma prestação e calar uma hospedeira?
Alguma vez te masturbaste para conseguir conciliar o sono e não endoidecer ainda?
Alguma vez sentiste nojo um nojo atroz irreparável e viscos de ti próprio?
Alguma vez amando profundamente a vida aquela outra vida que te não foi dado viver
Estiveste à beira de um percipício para te despenhar e não te despenhaste?
Alguma vez choraste de raiva por te saberes impotente para valer a um desgraçado?
Alguma vez soluçaste sobre o cadáver já hirto de um gato todo branco ensanguentado
Que parecia encerrar em seus olhos estranhos e longínquos dum esfíngico mistério
Toda a indiferença e insensibilidade que eu de alto a baixo gostaria de sentir
Por toda essa humanidade com um pouco desse teu ar de estúpida superioridade?
Alguma vez sentiste respeito pelos que num declive gradualmente vão descendo
Porque não têm mais forças nem apoio para resistirem com brio e orgulho combatendo
Para lutarem contra aquela força indecifrável que fatalmente os arrasta e os impele?
Mas depois uma lâmpada acesa por detrás dos foscos vidros de uma janela
Não exercia sobre ti o místico fascínio do brilho cintilante duma intangível estrela?
Alguma vez contrariaste uma tendência ou debelaste um vício menino vicioso?
Alguma vez escreveste um poema mesmo porco lamentável menino intelectual?
Ao menos alguma vez leste um poema até ao fim bom ou mau mas sempre mensageiro?
Alguma vez estiveste desprotegidamente horas e horas sob uma chuva torrencial
Por ser na rua o uníco processo de escutares aquela música sortílega e necessária
Para te ergueres das trevas obsecadas e medonhas de uma loucura quase magistral!

Depois de tudo isto te ter acontecido a rasgar impiedosamente uma efémera juventude
Aqueles breves anos que deveriam ser belos leves e felizes para toda a gente
Quando tu fortemente aprisionada na garra furiosa de uma verdadeira vicissitude
Cheio de um remorso alucinado no rasto do desespero aniquilado e ausente
Esmagado pelo cansaço sem ânimo sequer para esboçar um movimento de revolta
Então acerca-te de mim e fala-me longamente de tua angústia do teu medo torturado
Podes mostrar-te confiadamente e gritar e chorar até sobre o meu ombro já tranquilo
E podes apertar a minha mão como se ela fosse o último apoio consistente que te resta
Porque eu saberei escutar-te até ao fim num balsâmico silêncio afagador
Depois então darte-ei essa mesma mão esquálida no fundo bem erma e bem vazia
Charmarte-ei homem amigo poeta irmão com amizade com ternura e gratidão.
Contarte-ei uma longa história autêntica bruta descoberta sem nunhuma simetria
E levarte-ei vida fora já liberto a mostrar-te as ruas tal como elas são!


Rogério do Carmo
Lisboa, 29/12/1959


Querido Rogério, recebi ontem o teu "Vagas" e quis homenagear-te desta forma, publicando a tua "Conversa amena" de que tanto gosto. Aos meus seguidores e amigos eu peço que entrem no blog do Rogério aqui linkado, o Sombras Vagas e que o oiçam declamar. É simplesmente único e emocionante.
Um homem maravilhoso, com uma vida intensa e muito para contar.
Recebi o seu livro de poemas ontem, chegado de França, onde criou com um grupo de amigos, uma rádio portuguesa, a rádio Alfa de Paris e segundo palavras suas "o ultimo grande, grande amor da sua vida"!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Agarra-me


Quero que me agarres,
quero que me prendas
mas que seja hoje.
Aproveita o momento,
tudo o que te dou,
esta ânsia
incontrolável de desejo.
A ti me entrego
sem reservas,
O meu corpo, a minha mente,
os meus sentidos,
sou toda tua.
Mas agarra-me hoje,
porque amanhã...
amanhã não sei!

Ana Casanova


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


É tão fácil chegar a mim,
quando existe entrega
quando a emoção é verdadeira
quando o que me dizes soa a melodia,
é pura poesia
quando me encantas e tocas,
quando me provocas,
quando me excitas,
quando me dizes coisas loucas,
quando me fazes sorrir
e quando brincas,
quando me fazes crer
que a vida acontece,
que ser amada e feliz
é possivel agora,
quando me possuis
e nada existe lá fora...
É fácil chegar a mim!

Ana Casanova


sábado, 30 de janeiro de 2010


Beija-me!
Quero sentir o teu gosto
navegar no teu mar
enebriar-me com o teu perfume
arrepiar-me com o teu tocar!
Beija-me!
Faz-me sentir mulher
terra molhada em dia de chuva
mar revolto em dia de tempestade
enredada pelo teu olhar!
Beija-me!
Faz-me pulsar...

Ana Casanova

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parabéns a nós, Élcio!


Querido Élcio, vim desta forma responder ao teu convite, de festejarmos todos juntos, os dois anos do teu "Verseiro".
Pediste para colocar uma foto de infancia ou adolescência e contar uma história engraçada.

Estive a mexer em fotos antigas e escolhi esta que para mim é especial. Estou ao colo de uma prima querida, a Geny, que há uns meses me encontrou aqui por este blog que tantas alegrias me tem dado.
Fiz dois anos de blog a 8 de Janeiro e deixei passar o dia, e aproveito para festejar contigo. Tenho certeza que não te importarás.
Hoje festejo também o aniversário da minha mãe e assim é um dia em cheio.

Sobre mim enquanto criança posso-te dizer que ao contrário dos outros bébés que adoravam colo, eu sentia-me muito insegura. A minha mãe dizia que eu parecia um passarinho de asas abertas assim que me pegavam.
Outra particularidade, é que odiava o silêncio mas não era música que eu gostava, era de conversa mesmo! A minha mãe adoptou o sistema de colocar junto a mim, um rádio que tinha que estar sempre num programa de noticias porque eu queria ouvir falar. Se parasse eu começava a chorar. Adorava conversar com o rádio. Já se adivinhava a Ana que fala pelos cotovelos. Lol
É com enorme prazer que deixo aqui os meus parabéns a um poeta maravilhoso e sensível e a quem tenho a honra de chamar de amigo.
Para participar fizeste-me reviver momentos passados na minha Luanda que farão sempre parte da minha vida!


Ana Casanova

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Memórias


Mexendo em lembranças
em coisas antigas
umas boas outras más
mas muitas até esquecidas
mas bastou remexer
no baú das memórias
e tudo renasce
lembrança e sentir
coisas passadas
mas que afinal persistem
porque mexeram comigo.

Ana Casanova

Por vezes sinto isto como uma fraqueza. Um coração que me atraiçoa e prega partidas.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Escrever e rescrever...a vida - Paulo Gaminha



Rabiscos, traços de um amor em construção...
Linhas avessas, desencontradas no caderno da vida
Borracha que se passa em cada contradição
Rasura que se rege em cada palavra indevida!!!

Somos senhores do destino que nos obriga a eleger...
Fugimos ao esquecimento que nos devora
Desgarramos a mão a cavar uma fuga, um amanhecer...
Gritamos aos ouvidos entorpecidos, que existe uma aurora!!!

Não queremos fazer parte deste jogo universal...
Nem queremos temer este marasmo castrador
Queremos provar aquele corpo ... o seu sabor a sal
Queremos acreditar que dentro de nós há um salvador!!!

Tomemos as rédeas da história ... com lápis de carvão
Se nascer em nós erro grosseiro ou contradição...
Voltemos a escrever ... a usurpar o papel ao escrivão
Para corrigir o erro da cobardia, consumada maldição!!!


Chamas do Fénix


http://aschamasdofenix.blogspot.com/

Poema de Paulo Gaminha, um novo amigo escritor já com o seu primeiro livro editado, "O domador de palavras".
Porque o acho fantástico como ser humano e escritor deixo aqui a sugestão de visita ao seu blog. Tenho certeza que gostarão tanto como eu.

Ana Casanova

domingo, 17 de janeiro de 2010

Em nome do amor

Mais uma vez e porque posso ser tudo menos acomodada, senti necessidade de falar das relações e do amor, ou do que se faz em nome dele. Senti necessidade do desabafo por situações que não entendo de pessoas que considero inteligentes, fortes e que pensava com vontade própria.
Como escrevi em tempos e aqui volto a transcrever, amar não é aprisionar, não é possuir, não é sufocar pois ao fazê-lo estamos a destruir o outro em nome de um sentimento tão sublime que se chama AMOR!
É preciso que se entenda que perdemos toda a magia quando tentamos fazer do outro reflexo de nós próprios e das nossas expectativas.
Como muitos sabem e nunca o escondi, estou de novo a dar uma segunda chance à minha segunda relação. Não somos perfeitos, erramos e acertamos mas se decidimos voltar não é para ser tudo igual, é para fazer tudo diferente. Se resulta ou não é uma incógnita como tudo nesta vida mas não é por isso que vamos ter medo de viver.
Senti esta necessidade porque acho que o problema de muita gente, não o meu caso, porque eu sempre fui livre e cada vez mais sinto falta do meu espaço, porque soube o que era estar sózinha, é viver com medos de tudo e com total insegurança. Eu se tivesse que colocar uma trela no marido com medo disto e daquilo não o queria!
Óbviamente não vou falar de nenhum caso particular até porque conheço tantos...
As mulheres têem amigos mas os maridos não sabem e vice-versa. Falar, rir, brincar não é permitido mas claro que tudo acontece na mesma! Mas o que as pessoas preferem? Viver na ignorância? E porque culpabilizam os maridos se depois conheço o reverso e as mulheres fazem o mesmo? Acho que aqui algo está muito mal. As pessoas anulam-se, deixam de ser quem são, vivem apavoradas e sem qualquer tipo de motivo. Será que não entendem que quando não funciona de qualquer jeito, não é com "restrições" que vai resultar? Eu não consigo funcionar assim. Daí resultam as tais expressões quando as pessoas se casam, do "vais-te enforcar", quando uma união por amor é única. Acho que era bem melhor se tirassem as teias de aranha da cabeça e vivessem as relações como tudo na vida, o dia a dia com amor, prazer, companheirismo.
Se é para ser uma sombra, um fantoche, então o melhor é acabarem de vez com esse sofrimento!

Ana Casanova

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tanta emoção




Meu Deus que saudade
é tanta emoção, sentimento
e sempre em crescendo...
Que bem e que mal me faz
porque me provoca dor este amor,
mas vou esperar, sonhar e acreditar
vou deixar brotar, crescer, florescer
lutar contra qualquer temporal
porque um dia, eu sei...
Porque sinto, porque insisto
porque apesar de tudo persisto
vou finalmente colher!


Ana Casanova

Um poema que escrevi há quase um ano e ao reler me apeteceu voltar a publicar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

De volta!


Apesar de não estar em grandes condições, não podia deixar de vir dizer-vos que estou de volta.
Como vos disse, dei realmente entrada no hospital no domingo à tarde e fui operada na segunda-feira. Para além das manifestações de carinho que recebi aqui no blog, vários amigos mandaram mensagem para o meu telemóvel, para o mail e fui inundada de mimos que me souberam muito bem. O meu pequerruchinho antes de eu ir, meteu-me no braço uma pulseira de borracha cor de laranja que o tio tinha comprado para ajuda da Fundação Gil, deu-lhe um beijinho e disse que era para ir comigo. Só a tirei na hora de ir para o bloco operatório. A minha mãe deu-me umas orações para rezar e levei comigo porque nunca me abandona, uma Nª Srª de Fátima que a minha avó materna que já partiu me ofereceu.
Apesar de alguns pequenos percalços porque o sistema de saúde está cada vez pior, fomos apesar dos nervos e das dores, rindo umas com as outras e ajudando as que já tinham sido operadas o que fizeram comigo depois, também.
Nem vinte e quatro horas passadas e já estava em casa. Agora estarei quinze dias a liquidos de duas em duas horas e um mês a dieta pastosa e espero que este assunto esteja resolvido.
Um muito obrigado e um beijinho muito carinhoso a todos, porque podem ter certeza que sentir tanta gente comigo me deu uma força enorme!

Ana Casanova

sábado, 9 de janeiro de 2010

Finalmente


Hoje foi dia de decisões quanto à minha operação. Como o meu problema de anemia se prende com perdas de sangue e se encontra em Portugal um grande especialista japonês que faz embolizações ( em explicação grosseira, porque não sei explicar de outra forma, é metida pela virilha uma sonda que vai bloquear artérias que irrigam o útero, o que evita perdas grandes de sangue), estavam os médicos a pensar se primeiro faria essa operação ou se operaria o estomago. Esta operação devia ter sido feita em Agosto e não foi, por causa da anemia que teve que ser tratada com várias doses de ferro endovenoso.
Neste momento os valores estabilizaram num valor minimo de 11.6 que consideram aceitável para operar e decidimos em conjunto que estava na hora.
O meu médico, lá arranjou uma vaga na segunda-feira à tarde e dou entrada no hospital, no domingo às 14 horas.
Sinto um misto de sensações boas e más porque confesso, a sala de operações, e a sensação do apagar da anestesia me deixa ansiosa. No entanto e ao mesmo tempo, eu quero muito resolver estes assuntos que se prendem com a minha saúde para me sentir de novo "Eu" e centrar-me na luta principal da minha vida.
Hoje foi festa de Reis na escola do Gonçalo e houve uma pequena apresentação de Futsal e o meu jogador marcou um golo. Que orgulhosa que esta mãe fica!
Comemos brigadeiro, rimos, tirámos fotografias, encontrei um grande amigo que chegou da Jordania e tem uma sobrinha coleguinha do Gonçalo e fez-me bem aquele momento tão bom de convivio entre pais e filhos. Acreditem que a "macacada era geral" e por vezes não se distinguiam as idades e isso é tão bom!
Para marcar este dia, tirámos esta foto com as coroas que fizeram.
Vim cansada mas feliz e vou aproveitar o tempo que me sobra até ir, para deixar tudo resolvido porque aqui a "corujona" é mesmo assim.
Vou aproveitar bem o dia para mimar muito os meus filhotes e desejo para mim, porque também mereço, que este seja o ano da mudança que tanto preciso.
Um beijo e...

ATÉ JÁ!


Ana Casanova

sábado, 2 de janeiro de 2010

Amor





Muito amor
é muito amor que eu preciso
Tudo o resto eu perdi
mas sem ti eu não consigo
porque o amor dá-me vida
força, alimento, calor
inunda todo o meu ser
Tudo o resto eu perdi...
Mas se tu Amor não me faltares,
eu juro que vou resistir!

Ana Casanova

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Angolano



Ser angolano é meu fado, é meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!


Neves e Sousa


Além de pintor era também poeta e soube retratar as gentes e a terra Angolana como ninguém, ta
manha a sua paixão.
A mesma paixão que me alimenta e me faz deixar aqui este belo e sentido poema na ultima postagem que faço este ano.

Desejo a todos um Feliz Ano de 2010 com muita Paz, Amor, Saúde e Sucesso!
Agradeço de forma muito sentida a vossa companhia, dedicação e carinho que retribuo. É bom estar aqui convosco!

Ana Casanova



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

"Mãe negra" de N´Tangu


Natal
Do menino negro
Que é igual
Ao menino branco
E o menino negro
Ao ser amamentado...
A sua Mãe
Também Negra
Alimenta-o
Dá-lhe o seu leite
Leite de Negra
Que é apenas
Leite Branco!...

LILI LARANJO


Agradeço ao meu querido amigo António Pais, a oferta deste livro que me proporcionou conhecer a escritora Lili Laranjo, uma pessoa sensivel e lutadora. Temos todos em comum o amor por Angola e o sonho que tenho a certeza partilham comigo, de que nesta época de reflexão, se questione e reflicta e se faça passar a mensagem de que o Natal num sorriso de criança devia ser todos os dias.
Lili diz no seu livro que "cada um de nós não pode mudar o mundo mas todos juntos conseguiremos pelo menos incomodar".
Transcrevo também a dedicatória que escreveu no meu livro e que diz:

Ana
um livro e um amigo são para sempre.
Portanto, aqui está o António!...
Um beijo
Lili Laranjo


Desejo a todos um Natal com muita Paz e Amor

Ana Casanova




domingo, 20 de dezembro de 2009

Deste modo ou daquele modo


Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.

E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.


Alberto Caeiro


Apenas transcrevi parte deste poema que me toca muito particularmente.


Ana Casanova

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Orgulhosa!


Hoje estou feliz! Sei que sou uma tola mas só tenho vontade de chorar de tanta emoção e alegria.
O motivo é dos melhores porque é de muito orgulho pelas boas novas que tive acerca da evolução do Gonçalo.
Estamos no final do primeiro período escolar e levei ao pedopsiquiatra, a avaliação da Professora do apoio especial . O Gonçalo evoluiu em todas as vertentes.
Doi-me, sempre que leio escrito num papel, que o meu filho tem um problema cognitivo grave dados os problemas de dislexia, disortografia e hiperactividade com défice de atenção mas saber que a cada ano evolui e neste momento se encontra totalmente motivado para aprender a escrever e ler é muito bom!
Devem-se lembrar da conversa que tive com ele no principio do ano e do que ele me prometeu.
Estamos a lutar todos em conjunto e os resultados estão à vista. O médico disse-me ainda hoje que há muito caminho a percorrer e a luta vai ser dura mas estamos cá para isso!
Quando o médico lhe apertou a mão e deu os parabéns e o sorriso dele se abriu, eu senti um orgulho sem limites.
Chegámos da consulta, comeu a correr e foi para a escola, porque detesta chegar atrasado.
Eu como sabia que hoje era dia de apoio, tive que ir à escola para saber mais detalhes e fazer as mil e uma perguntas que tinha e tenho sempre para fazer.
A professora diz que o Gonçalo está extremamente motivado, mais solto mais feliz, com uma maior auto-estima e o trabalho desenvolve-se em todas as vertentes. A sua educação está baseada na funcionalidade e com suporte no concretizável. Soube que a escola para onde irá no próximo ano, é das poucas escolas que já tem um projecto para crianças com caracteristicas especiais e são 30 meninos. As disciplinas serão escolhidas em conjunto por pais e professores e mesmo disciplinas como português e matemática estão de acordo com as suas capacidades e plano de estudo específico. Têem depois as aulas de apoio e as oficinas. A inovação é exactamente esta. Soube o que me deixou completamente estupefacta, que houve muitos pais de meninos sem qualquer problema que estavam contra as oficinas porque achavam que os nosso filhos estavam a ser beneficiados. Como é isto possivel? Será que eles não conseguem pensar como seria bom se o meu filho não precisasse de atenções especiais? O egoismo, a inveja e a maldade impera em muitas almas, infelizmente. O que importa é que o projecto está já em concretização e com sucesso e as crianças terão aulas de artes, informática, carpintaria e outras. Estão a acabar com as escolas especiais porque as crianças são todas iguais e têem que estar integradas. Se as colocam de parte logo em pequenas, como querem que depois sejam aceites em adultas?
A escola acompanha os alunos até à idade adulta integrando-os no mercado de trabalho, o que me deixou muito satisfeita e mais tranquila.
Entretanto e como começou agora a ter futebol como actividade extra, soube agora mesmo que o Gonçalo está a jogar como ponta de lança, tem o seu primeiro jogo no sábado e o treinador considera-o com bastantes capacidades.
Com tudo isto estou como uma "perua inchada" mas acho que me entendem e como até estamos no Natal...
Beijinhos para todos, meus e do Gonçalo.

Ana Casanova

domingo, 13 de dezembro de 2009

De mãos dadas


Num campo lindo e florido
Demos as mãos, e
Escrevemos um poema
Poema de amor, de amizade
Poema onde a saudade
Tem um fundo colorido
Poema que nos invade
Poema de quatro mãos
Poema que é canção
Uma bela cantilena
Poema que nos une
Muito embora a distancia
Em tudo nos aproxime
Através do oceano
Transportados em sonhos
Na sintonia das palavras
Na maré das emoções
Poema que nos transporta
Em continentes e ilhas
Nesta imensa simbiose
Pura, singela e sem medos
E, juntos desafiamos
Tudo o que nos afasta
Pela força da partilha
Num poema a vinte dedos.
"
Adriano Carôso/Ana Casanova
"
Este poema a quatro mãos foi feito com muita amizade e carinho entre dois amigos.Tinha visto belíssimos poemas feitos por outros blogueiros e foi pra mim muito gratificante, escrevê-lo, com um poeta como o Adriano.
Apeteceu-me voltar a publicá-lo porque sinto imensas saudades dele e não me esqueço do prazer que nos deu fazê-lo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sensualidade


Sensualidade está num, olhar num gesto, numa atitude expressa. Algo belo, natural e espontâneo que existe em nós. Nem sempre está imediatamente visível, já que muitas mulheres o têm latente em si e apenas não o exprimem por pudor, pela educação que tiveram...

Todas temos um determinado encanto, um jeito muito nosso de ser, de nos expressarmos com palavras ou num gesto que tantas vezes diz tanto ou mais que muitas palavras. Marcar presença, ser feminina e saber usá-lo a nosso favor.

Hoje vivemos num mundo em que muito nos é exigido, já que sensualidade e sedução são fortemente exploradas. Continuo a achar no entanto, que mesmo que confundidas, na medida em que provocamos quem nos olha, ou quem nos olha se sente provocado, não são exactamente a mesma coisa.

A sensualidade está em nós e a sedução é produzida para surtir um determinado efeito. Acho que podemos usá-las na dose certa e com certeza nos sentiremos mais bonitas, radiosas e os relacionamentos serão bem mais prazeirosos!

Ana Casanova


Este texto foi escrito para um blog chamado Sensuality bem como outros dois que pretendo publicar aqui, a convite de um amigo. Uma parceria num blog onde falariamos de homens e mulheres, sensualidade, paixão, erotismo, desejo. Aceitei prontamente e tenho pena que por falta de tempo dele, não tenhamos continuado a escrever.

Para ti Richard, um grande beijinho.

domingo, 6 de dezembro de 2009




Amar é uma coisa

e desejar é outra.

Desejo, ternura, paixão

ou é apenas falta que sinto

ou o medo da solidão.

Preciso muito de ti

isso eu sei!


Ana Casanova

domingo, 29 de novembro de 2009

É bom sentir




É bom sentir-te feliz
por saberes que estou aqui
que te faço bem à alma
que ocupo vazios
que preencho momentos solitários.
É bom o que sinto de volta
quando faço alguém sentir que está vivo.
É bom porque sorrimos os dois!

Ana Casanova

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Persistência



Continuo a acreditar.

E nesta vida que pulsa

neste acreditar constante

eu resisto às intempéries

porque nada me detêm!


Ana Casanova

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pergunta-me - Mia Couto

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto


António Emílio Leite Couto,(Mia Couto) poeta nascido na cidade da Beira em Moçambique no ano de 1955. Mia era o nome que o irmão mais novo lhe chamava por não saber pronunciar Emílio, no entanto o poeta refere que também tem muito a ver pela sua paixão pelos felinos. Segundo familiares, em pequeno costumava dizer que queria ser um gato.
No seu percurso de vida, abandonou o curso de medicina, dedicou-se ao jornalismo, acabando por tirar o curso de Biólogo.
Escreveu poemas, contos e romances tendo recebido vários prémios. É o escritor Moçambicano mais traduzido no estrangeiro. As suas obras foram traduzidas em Alemão, Francês, Espanhol, Catalão, Inglês e Italiano sendo também o mais lido em Portugal.
Um escritor que tem uma forma muito própria de escrever e rica em neologismos, dando novos sentidos às palavras e inventando outras.

Quero dedicar este belo poema a dois amigos, o António, "Tentativas Poemáticas" e a Isabel Monteverde "Artista Maldito".


sábado, 14 de novembro de 2009

O que há em mim é sobretudo cansaço



O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A presença do passado

Senti necessidade de falar sobre adversidades e formas de encarar a vida, depois de algumas conversas mantidas com um amigo.
Ao longo destes ultimos anos, aprendi a não ter medo da vida, porque as adversidades nos fazem reagir e tomar as rédeas das situações com mais ou menos coragem mas bastante determinação.
No meu caso, existe um passado que continua a dominar parte da minha existência. Um passado de que me orgulho mas que me traz lembranças muito boas mas também outras que são más e que me provocam infelicidade. Sei que só livrando-me delas, viveria em paz mas também penso se isso não me criaria um certo vazio, porque tudo tem um seguimento, uma história encadeada.
Como sempre digo, falar e deitar tudo cá para fora é das melhores terapias e só nos faz bem.
Posso afirmar que foi esta minha capacidade que me salvou de mim própria em situações limite.
Pelo menos era assim que as via na altura.
Vividos os primeiros choques, aprendi que primeiro tinha que crescer e aprender a não desistir de mim própria, a elevar a minha auto-estima.
Aprendi também a manter-me mais tempo no presente, porque o hoje é que importa e ter filhos muda tudo na nossa vida.
Sou a timoneira de um barco que não posso deixar à deriva. Mais do que tudo, eles dependem da minha estabilidade.
Mais uma vez, reuno forças e sonho, faço projectos, para seguir em frente sem deixar sequer que eles sintam como por vezes temo perder o controlo.
Sinto-me munida de forças extra: o amor sem limites que sinto por eles!

Ana Casanova

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sensibilidade


Que sensibilidade me sobe
da passada adolescência?
Que agudeza dos sentidos
me perturba a consciência?

Surge do desencanto
um mundo a que me abandono.
Tranquilo e caricioso
como um sol de Outono.

A cor, a luz, as formas,
sinto-as de coração novo!
Em tudo desconheço
uma experiência que renovo.

Como quem sai
duma longa doença,
deslumbrado e comovido
pela convalescença.

João José de Melo Cochofel

Partilho convosco mais uma maravilhosa poesia de João Cochofel, aproveitando para vos contar o resultado das minhas ultimas análises.
O ferro está finalmente a fazer algum efeito mas o medico decidiu fazer-me mais um tratamento de soro endovenoso.
Brincou comigo dizendo que estou uma "mulher de
aço". Pretende que o valor da hemoglobina chegue aos 12mg até daqui a 1 mês já que esta dose "bomba" tem que fazer efeito. Os meus globulos vermelhos mantêm-se pequeninos mas o meu irmão mais novo que eu 1 ano, brincou comigo dizendo: "Mas se tu és pequenina, como é que hás-de ter os globulos vermelhos grandes?".
Estou rodeada de gente que me estimula e quer animar e é isso que eu preciso. Já sei que a operação ficará para o ano porque o médico diz que temos que debelar primeiro esta anemia e estudar outras coisas depois, porque não vamos correr riscos e assim será!
"Depois da tempestade vem a bonança" e eu vou esperar por ela.

Ana Casanova

PS - O meu tio ( cirurgião digestivo), ligou-me já à noite e disse-me que esteve a falar com o médico e com este nível de hemoglobina já me operam.
O médico da Imuno-hemoterapia, disse-lhe que me faria mais um tratamento de ferro e então podiam avançar com a operação. Será em principio dentro de 2 semanas mas agora só falarei quando tiver certeza da data. Fiquei feliz porque as hérnias do estomago estão a dar-me também muitos problemas, sempre a inflamar e porque quero ficar boa depressa para seguir em frente.
Claro que nunca descurando a questão da anemia que com a operação vai ter que ser seguida muito atentamente.
Sabem que tinha que partilhar convosco!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Emoções

Para muita gente é complicado falar de sentimentos ou exprimir emoções.
Sentir é uma coisa e exteriorizar o que se sente, é outra.
Enquanto o sentimento ocorre internamente, a emoção é manifestamente visível quando a sentimos. São respostas incontroláveis que nos fazem corar, arrepiar, tremer, chorar...
Acho que o facto de ser como sou me tem ajudado a superar muitas dificuldades principalmente no que diz respeito à forma como lido com pessoas e situações.
Digo muitas vezes quando me caracterizo, que sou "transparente" porque não me escondo, nem guardo. O que sinto, eu deixo fluir e expresso.
Não tenho vergonha de dizer que sinto, que amo, desejo, tenho medo ou se estou zangada ou revoltada com alguém ou alguma situação. O contrário é que seria impensável para mim.
Já referiram aqui a "coragem" que tenho em mostrar-me dessa forma e nem sei se o disseram com sentido positivo ou negativo mas sinceramente em nada mudou ou mudará a minha forma de ser ou estar.
Entendo que existem diferenças culturais e de valores que também influenciam as formas de agir, podendo até condicionar as pessoas ao ponto de não exteriorizarem o que sentem por receio de exposição. Acreditem que é muito bom e libertador!
Não percam a oportunidade de dizer AMO-TE, quando o sentem. É tão bom quando ouvimos do outro lado: Também te amo muito!
Ainda ontem à noite o disse e ouvi com toda a emoção, do outro lado do telefone, na voz do meu filho César, quando lhe liguei.

Ana Casanova

domingo, 1 de novembro de 2009

Beleza


Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
É lei da natureza:
Queres ser bela? - ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E estátua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura...
Mas Beleza é isso? - Não; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
- Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que estão por nascer –
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

É a luz divina
Que nunca mudou,
É luz... é a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Como prometido

Hoje foi dia de ir ao hospital saber os resultados das ultimas análises.
Eu não consigo discernir bem se as noticias são muito boas. Apenas consigo dizer o que me foi explicado de uma forma simples e peço desculpa se algum entendido na, matéria me ler e estiver alguma coisa descrita de forma menos correcta. Sou muito atenta de qualquer forma e explico, da forma simples como me foi explicado.
Por um lado, aqueles resultados disparatados que iam fazendo que levasse uma transfusão de sangue, não podiam ser meus. Por esse motivo, a médica prefere recolher o sangue ali mesmo no hospital de dia, até porque controla melhor e mais rápido os resultados. É que agora as análises de sangue são todas feitas no Hospital Sta Maria o que eu acho que proporciona este tipo de confusões mas os entendidos é que sabem! O Hospital deixou de ter laborátório e penso que será assim com os hospitais de Lisboa. Centralizaram o serviço em Sta Maria.
A médica explicou-me que se verifica nestas análises que houve sim, absorção de ferro que passou de valor 5 para 700. O problema consiste na absorção desse ferro.
Como expliquei na semana anterior, o facto de ter estado a semana passada com o periodo menstrual onde tenho perda imensa de sangue não ajudou para o estudo.
Houve mais um aumento de 2 gramas no valor da hemoglobina mas os meus globulos vermelhos apenas aumentaram ligeiramente de tamanho. Apesar de pouco foi positivo e a médica tomou a seguinte decisão: mandou retirar-me mais sangue hoje para analisar na proxima quarta-feira, pois assim tenho estes dias para o ferro se expandir pelo organismo já numa situação em que não existem perdas de sangue. O que ela pretende é que resulte porque se não resultar, vai ter que tomar outras medidas.
Falou-me em dar uma injecção para estimulação da medula óssea mas quer evitá-la porque diz que ainda sou muito nova e não o queria fazer.
Sinceramente eu também não quero e como sempre mal cheguei a casa vim ao Google ler sobre o assunto e fico logo mal disposta.
Estou aqui a falar de coisas tão sérias e importantes para a minha vida e de repente lembrei-me de uma brincadeira que faço com o Gonçalo e com a qual nos fartamos de rir. Tem a ver com uma cena de uma novela brasileira, em que uma personagem falava com as célulazinhas enquanto colocava o creme no rosto para as estimular.
O Gonçalo adora essa minha brincadeira e eu vou terminar dizendo que espero que as minhas célulazinhas reajam porque eu preciso muito e não é por causa das rugas!
Hoje não quero chorar, apesar do nó na garganta. Do que vale sofrer já por antecipação? Posso até estar a querer mentalizar-me mas se assim fôr também considero positivo e acho que vocês me entendem. Dão-me sempre muita força e acreditem que me faz muito bem.
Beijos para todos!

Ana Casanova

domingo, 25 de outubro de 2009

Pórtico

Outros serão
os poetas da força e da ousadia.
Para mim
— ficará a delicadeza dos instantes que fogem
a inutilidade das lágrimas que rolam
a alegria sem motivo duma manhã de sol
o encantamento das tardes mornas
a calma dos beijos longos.
Um ócio grande. Morre tudo
dum morrer suave e brando...

Que os outros fiquem com o seu fel
as suas imprecações
o seu sarcasmo.
Para mim
será esta melancolia mansa
que me é dada pela certeza de saber
que a culpa é sempre minha
se as lágrimas correm ...

João José Cochofel

João José Cochofel, poeta, ensaísta e crítico literário e musical.Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra, tendo integrado o movimento neo-realista coimbrão. Foi um dos grandes organizadores do Novo Cancioneiro.
Dirigiu até à altura de sua morte, o Grande Dicionário de Literatura Portuguesa e da Teoria Literária, que não concluiu.
A sua poesia de grande Lirismo, aflora temas como a natureza e o mundo social.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tive medo

Hoje de manhã, tal como previsto, fui saber o resultado das análises depois dos tratamentos de ferro. Apesar de estar naquela altura "crítica" do mês em que sofro bastante e tal como quase todas as mulheres, fico especialmente sensível, sentia-me tranquila e esperançada.
O pior foi quando vi a cara preocupada da médica quando viu os meus exames.
Havia mais glóbulos vermelhos auto-destruidos e os resultados davam como estando pior que antes da tomada de ferro.
Imediatamente passou todo o tipo de exames de doenças de origem hereditária e outras porque não conseguiu entender a que se deviam tais resultados. Continua a achar que não tenho Talassémia mas voltou também a pedir esses exames específicos mas no entanto e porque se metia o fim de semana, propôs-me fazer uma dose de sangue. Nunca tinha sido transfundida e ela estava a evitar fazê-lo.
Aguentei-me enquanto pude mas quando ela saiu da sala para dar indicações da tirada de sangue para mais análises e para me fazerem a transfusão, desatei a chorar.
Eu tenho noção que preciso ser forte. Eu sei que em qualquer doença, a força e positivismo é fundamental mas não sou de ferro...
A médica entendeu o meu nervosismo e entretanto já tinha ligado para o meu tio, médico da cirurgia digestiva, que se dirigiu logo ao serviço. Ambos disseram que eu precisava ter muita calma e que se vai descobrir o motivo destes resultados.
Passei ao hospital de dia e a enfermeira enquanto ia tratando de me tirar o sangue e preparar para a transfusão, ia-me carinhosamente fazendo festas. Fico feliz quando vejo pessoas que têem vocação para as profissões que escolheram e não as consideram meros empregos, ainda para mais quando se trata de lidar com pessoas que já por si se encontram debilitadas e a precisar de atenção.
Estava tudo pronto, quando a médica chega com novos resultados de sangue que contrariavam os tais que levavam à transfusão. Estes que ela fez no momento, demonstravam que embora apenas 2 gramas, tinha havido uma melhoria nos resultados.
Como não confiou nos outros exames, preferiu não fazer a transfusão mas também não me dar mais ferro, até na próxima sexta-feira poder fazer nova avaliação.
Achou estranho que tivesse havido melhoria em dois dias e não acreditou na fiabilidade dos exames vindos do laboratório e preferiu esperar pelos novos.
Nesse momento com o sorriso dela, surgiu-me uma nova esperança de que não haja tanta gravidade como a pensada, porque mesmo 2 gramas demonstraram que houve qualquer reacção ao ferro e não foi negativa como se pensava.
Para já preciso repousar, acalmar e pensar que vão descobrir o que tenho para poder ser operada. Eles pedem-me um pouco de paciência e tempo para tratarem de mim e levarmos o "barco a bom porto".
Tenho total confiança neles, muita fé em Deus e um amor tão grande pelos meus filhos que vou lutar muito, muito, muito!
Na próxima sexta-feira darei mais noticias. Beijos com muito carinho para todos vocês.

Ana Casanova

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O polémico Saramago


O prémio Nobel Português já havia gerado polémica quando afirmou que Portugal deveria tornar-se uma província Espanhola. Segundo ele, só teríamos a ganhar! Reside já há muitos anos na ilha Espanhola de Lanzarote.
As sua novas observações a quando do lançamento do seu mais novo livro "Caim", só poderiam gerar uma nova polémica mas a que ele já nos habituou. Não obstante a mim chocou-me como a tanta gente. Realmente sou católica e creio em Deus e não foi só a igreja que se sentiu ofendida como ele diz.
Afirmou que a Bíblia é "um livro de maus costumes" e retrata Deus como mau e cruel dizendo que é "vingativo e má pessoa".
Não esqueço o seu valor como escritor e obras como "Ensaio sobre a Cegueira" ou a forma como nos apresenta a morte em "Intermitências da morte", no entanto e tal como ele expresso aqui a minha opinião pela mesma liberdade de expressão que tenho ao viver em democracia, tendo o direito a achar que o acho prepotente e excessivo nas considerações. Considero como mais pessoas, que esta foi uma óptima forma de divulgar a nova obra em tempos de crise!
Aceitando sempre toda a espécie de opiniões contrárias, deixo aqui algumas frases suas que considero marcantes:


"Portugal deveria ser provincia de Espanha"


"Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a Bíblia e perde a fé"


"Deus é um filho da puta" - "Caim"


"Não cumprimento Cavaco Silva"


"A língua é minha e o sotaque é seu".

Resposta a um estudante brasileiro que disse não perceber a sua pronuncia, numa conferência.



Ana Casanova

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Poema do amigo aprendiz


Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa

Um poema que dedico a todos vocês!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nova rotina

Como já havia referido, a operação para redução ao estomago foi adiada, porque os exames de sangue mostraram que estou com uma grande anemia.
Os valores para as muheres, abaixo dos 14 g/dl já não são normais e o meu estava bem abaixo do minimo com um valor de 6 g/dl.
Apesar do cansaço extremo, da queda de cabelo intenso, das unhas que se partem por nada, da falta de ar, esperava que me fosse marcada a consulta com um especialista que controlaria tudo isto. O meu organismo achou que não podia esperar mais e esta sexta-feira apanhei realmente um susto. Uma sonolência doentia invadiu-me, o sangue parecia gasoso, o coração parecia querer deixar de bater. Tive medo!
o médico mandou-me estar sem falta hoje no hospital, onde iniciei um tratamento de choque, de ferro por via endovenosa. O meu estomago e intestinos com o meu historial de doença, todas as drogas que já tomei, operações que fiz, já não absorve ferro de outra forma.
Sexta-feira farei um segundo tratamento e será feita uma avaliação para ver se o meu organismo está a aceitar o ferro. Como havia referido, tenho glóbulos vermelhos que se auto-destruiram e que podem ser indicadores de talassémia mas a médica diz que não chega isso para chegar a essa conclusão. Está optimista que este tratamento resulte mas já me disse que passarei a ser vigiada de 6 em 6 meses e a fazer ferro por esta via, em principio para toda a vida, porque vem aí mais uma cirurgia ao estomago.
Apesar de tudo isto, talvez porque estive numa sala com mais cinco pessoas que fazem este tratamento há anos e vi sorrisos e boa disposição, senti-me tranquila.
Pensei que agora estou a ser tratada e vigiada e tenho mesmo que acreditar que a resposta do meu organismo ao tratamento, será positiva.
Tenho muita fé que será assim. As forças irão voltar, para eu prosseguir a minha luta, porque tenho muitas batalhas importantes para travar, muitos sonhos para concretizar e a vida é linda e eu quero vivê-la!

Ana Casanova